Hotelaria: Falta de mão de obra “é consequência dos baixos salários”

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O coordenador do Sindicato da Hotelaria do Algarve, Tiago Jacinto, considera que a falta de mão de obra no setor da hotelaria e restauração “ao contrário das razões apontadas pelo patronato, é, antes de mais, consequência dos baixos salários” e do “brutal agravamento das condições de trabalho e de vida dos trabalhadores” deste setor.

Recentemente, o presidente da Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA), Elidérico Viegas, defendeu que deveria existir uma maior mobilidade entre as zonas residenciais e os locais de trabalho e considerou, ainda, que o Governo deveria agilizar a legalização de imigrantes e conceder mais apoios à formação. Tudo para combater a falta de mão de obra.

Tiago Jacinto considera que as afirmações de Elidérico Viegas “pretendem esconder a responsabilidade de quem as faz, bem como a difícil realidade vivida por quem trabalha” no setor.

“Além disso, trata-se de apelos a um maior apoio público por parte dos Governos para canalizar mais uns milhões de euros do Orçamento do Estado para os bolsos dos patrões em nome do combate à precariedade e à sazonalidade, para além do apelo ao Governo para ajudar a recrutar mão de obra estrangeira mais fácil de explorar, nomeadamente refugiados que procuram melhores condições de vida que não encontram nos seus países de origem”, aponta o dirigente sindical.

Tiago Jacinto recorda que a hotelaria é um setor que “tem vindo a atingir resultados recordes sucessivos”, mas “o trabalho é cada vez mais precário, horários cada vez mais longos e desregulados, ritmos de trabalho cada vez mais penosos e os direitos cada vez mais postos em causa”.

Aquele dirigente sindical considera que a hotelaria “é cada vez mais” um “setor de passagem, onde se trabalha com a perspetiva de encontrar algo melhor noutro setor ou noutro país” e onde se verifica uma grande rotação de trabalhadores no mesmo posto de trabalho “porque se recorre cada vez mais a trabalhadores temporários, aos estágios e à prestação de serviços, prejudicando, com isso, a qualidade do serviço, embora os preços cobrados aos clientes continuem a aumentar”.

Para que a situação seja invertida, Tiago Jacinto defende que é necessário “valorizar os salários, garantir vínculos de trabalho estáveis, horários que permitam a conciliação da atividade profissional com a vida pessoal e familiar, salvaguardar o transporte entre o local de residência e o local de trabalho, repor as carteiras profissionais para melhorar a qualificação dos trabalhadores e permitir a progressão na carreira, valorizar a contratação coletiva”, entre outros fatores.

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