Investigadores portugueses fazem avanços na área de órgãos transplantados

Um grupo de investigadores portugueses identificou uma população de células capaz de controlar a ação excessiva do sistema imunitário e que pode ser aplicada no combate à rejeição de órgãos após transplante, sobretudo do fígado.

“Pela primeira vez temos uma população de células que é específica para uma região do corpo. A sua ação, de prevenção de uma rejeição de um transplante, vai ser só localizada ao fígado. Por essa razão vai conseguir evitar-se a rejeição do transplante de fígado, mas não afetando todas as defesas do organismo”, explicou à Lusa o diretor da Unidade de Imunologia Celular do Instituto de Medicina Molecular, Luís Graça.

A descoberta da nova população de “linfócitos reguladores” e a sua aplicação “poderá permitir minimizar os efeitos crónicos da imunossupressão após transplante, nomeadamente a exposição acrescida a infeções e cancro, que colocam, muitas vezes, em risco a vida dos transplantados”.

“Os nossos estudos em ratinhos mostraram que estas células que conseguimos produzir ‘in vitro’ (no laboratório), quando são administradas vão migrar especificamente para o fígado. Por essa razão parece que conseguem ter uma ação protetora, especialmente concentrada nesse órgão, podendo evitar uma inflamação excessiva ou uma rejeição de um transplante, mas sem diminuir as defesas do organismo contra bactérias ou vírus que podem causar outras doenças”, esclareceu.

Segundo o investigador, líder da equipa que fez a descoberta, “é o sistema imunitário que vai aceitar o órgão transplantado, que entende como algo estranho e que contribui para a rejeição desse órgão”.

“No entanto, também há a componente do sistema imunitário que evita uma actividade excessiva, que pode, não havendo este controlo, causar doenças, nomeadamente as auto-imunes – como a artrite reumatóide, diabetes e esclerose múltipla”, disse.

Luís Graça referiu que “nos últimos anos tem havido um grande esforço para encontrar e para estudar estas células que conseguem controlar a ação excessiva do sistema imunitário”.

“Aquilo que nós identificámos foi uma nova população de células que tem essa propriedade: ser capaz de controlar uma ação excessiva do sistema imunitário”, assegurou.

De acordo com o investigador, “a ação desta população de células, de prevenção de uma rejeição de um transplante, vai ser só localizada ao fígado. Por essa razão vai conseguir evitar-se a rejeição do transplante de fígado, mas não afetando todas as defesas do organismo”.

Os resultados do estudo da equipa de investigadores do IMM são publicados no dia 15 de agosto na revista “Journal of Immunology”.

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