“Investimento deve encaminhar-se para equipamentos de primeira necessidade”

Os censos de 2001 apontavam para a existência de menos de 32.500 habitantes na freguesia de Portimão. Nos últimos dez anos, este número disparou e, com as pessoas, vieram também as obras importantes. Após este período de grande crescimento, a presidente da junta revela ao JA que, agora, é tempo de “redobrar esforços” para ajudar a população afetada pelo desemprego e trabalho precário. Ao mesmo tempo, Ana Figueiredo realça que a junta vai concentrar as energias nos projetos que contribuam para aumentar a qualidade de vida na cidade.

Como encontrou a freguesia quando assumiu funções?
Sem prejuízo do trabalho que vinha sendo efetuado pela minha antecessora, senti que havia necessidade e possibilidade de incrementar uma nova dinâmica de trabalho, ampliando o espaço de intervenção pública da junta e, com isso, beneficiar um número bem mais significativo de pessoas.

Quantos habitantes têm a freguesia?
Face aos únicos dados oficiais disponíveis, os censos de 2001, a freguesia de Portimão tinha 32.433 habitantes, mas os dados deverão ser atualizados com os censos de 2011. Isto porque, só em termos de eleitores, a freguesia de Portimão regista, à data, 36.711, incluindo 364 eleitores estrangeiros.

Como define a freguesia?
Em termos de constituição política, a menor divisão administrativa do país. Em termos de capacidade de intervenção, dir-se-ia estarmos perante um mundo de potencialidades, por estar próxima dos cidadãos, por poder contar com a sua participação ativa, por ser um organismo ágil de que as pessoas muito podem esperar se houver uma governança rigorosa dos dinheiros de todos nós, pagos com os nossos impostos, se existir noção de serviço público e busca de inovação.

Quais as obras de maior relevância que foram feitas nos últimos anos?
Portimão conheceu, nos últimos anos, uma dinâmica ímpar no que respeita à execução de obras estruturantes para seu futuro. No âmbito mais restrito, de parceria entre a câmara e a junta, saliento a execução do parque infantil na Alameda, espaço lúdico com grande utilidade social para as famílias e o desenvolvimento das crianças, e o coreto como uma aspiração antiga dos portimonenses, sem prejuízo do projeto da construção da sede da junta, que está em curso. Estas ações têm tido lugar no contexto de uma dinâmica mais geral da cidade, no seio da qual é de salientar a execução de investimentos tais como: o pavilhão Arena, o museu municipal, o teatro municipal (TEMPO) e o parque escolar.

O que é que faz mais falta à freguesia neste momento?
As necessidades das pessoas não cessam porque é próprio da condição humana aspirar sempre a melhores condições de vida. Mas como nem tudo o que é desejável é possível, ao mesmo tempo, há que estabelecer prioridades. Eu diria que, neste momento, é imperativo que o investimento público se encaminhe para equipamentos de primeira necessidade, como sejam, um terminal rodoviário, um novo cemitério, a manutenção de alguns equipamentos existentes e a requalificação de outros.

Está prevista a concretização de algum projeto importante num futuro próximo?
Em termos de projetos à dimensão de uma junta de freguesia está previsto o arranque da construção da sede, com espaços de utilidade pública com interesse para a população, a nível social e cultural.

Que medidas têm sido tomadas na área social para apoiar a população nestes tempos de crise?
Embora a área social pertença mais à esfera da Segurança Social, a junta tem procurado conferir à população apoios sociais complementares, que vão desde o encaminhamento social para outros equipamentos que prestam apoios de primeira necessidade, a prestações pecuniárias diretas a pessoas e instituições. Tudo isto, claro está, nos limites orçamentais a que a junta está sujeita.

Como é que perspetiva o futuro da freguesia?
Em termos de ação política é difícil perspetivar o futuro das freguesias, nomeadamente das urbanas, porque o poder central não tem sido claro a esse respeito. Se as freguesias continuarem sem mais competências próprias legitimadas pelo poder central, com a necessária tradução orçamental, dificilmente será possível ter uma perspetiva otimista do seu futuro. No caso da junta de freguesia de Portimão, em concreto, perspetiva-se a continuação de uma exigência de rigor e dedicação à causa pública, como tem sido o nosso timbre, num cenário marcado pelo aumento do trabalho precário, pelo desemprego, pelo aumento do custo de vida, pelo encerramento de empresas e de serviços públicos, que exigem um redobrar de preocupações.

Que locais aconselha a visitar na freguesia?
A junta, sensível ao facto de se implantar numa cidade turística, terá sido das primeiras a executar um roteiro turístico. Fizemo-lo no ano de 2008. Nessa circunstância, sugiro uma consulta ao roteiro, por se encontrar bastante atual.

Deixe uma frase ao povo da freguesia…
O povo de Portimão sabe que estaremos ao lado de quem mais precisa, das suas preocupações mais legítimas, que pode continuar a depositar confiança na nossa determinação incessante de procurar transformar os seus desejos em realidade. Sabe que, da nossa parte, poderá contar com trabalho, trabalho e mais trabalho. Só ele nos pode livrar do esquecimento dos compromissos assumidos e da pobreza. Redobraremos esforços e concentraremos energias na concretização de projetos destinados a contribuir para o crescimento social e bem-estar da cidade. Olhamos com confiança para o futuro, com a confiança de quem, mais do que caminhar ajuda a construir o caminho.

FICHA PESSOAL:
Nome:
Ana Maria Fazenda Figueiredo Santos
Idade: 56 anos
Eleito presidente da junta em: 2005
Partido: PS

Nuno Couto/Jornal do Algarve

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