ENTREVISTA Primeira

João Fernandes: “O Algarve precisa de um grande evento internacional e estamos a trabalhar nisso”

 

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Tomou posse no início deste verão para um mandato de cinco anos à frente da Região de Turismo do Algarve (RTA), depois de ter sido vice-presidente na anterior direção. Em entrevista ao Jornal do Algarve, João Fernandes fala da futura taxa turística, com a qual não concorda, e sobre os desafios que o turismo algarvio tem à frente. Defende a necessidade de se continuar a diversificar a oferta e os mercados emissores, bem como a aposta naquilo que nos diferencia. Considera que o Algarve deve estar atento a situações como o Brexit e o “renascimento” de destinos concorrentes, mas recorda que o turismo algarvio continua a crescer

DOMINGOS VIEGAS

Já manifestou publicamente a sua oposição à taxa turística, aprovada pela AMAL e que será aplicada pelos municípios. O que é que teme para o turismo algarvio?
A posição da RTA teve o apoio e a subscrição direta das duas principais associações da área do alojamento. Por um lado, alertámos para um conjunto de questões que era necessário verificar de forma a que a famigerada taxa não impactasse na principal atividade económica da região. Não podemos esquecer que já existe, no processo de descentralização, um reforço de competências para os municípios que prevê, por exemplo, uma componente do IVA resultante do consumo nos concelhos. No Algarve, cerca de dois terços desse valor é resultante da atividade turística. Já havia um mecanismo previsto para compensar a chamada pressão turística. Por outro lado, é o ‘timing’. Estamos numa fase em que, tradicionalmente, se negoceia com os operadores turísticos e se negoceiam reforços de rotas. Claramente, não é a altura mais indicada para anunciar taxas. Estamos com uma concorrência muito aberta com destinos como a Turquia, a Tunísia ou o Egito, que têm uma abordagem de preço com a qual nós não podemos concorrer. Felizmente, vivemos num país desenvolvido que tem custos fixos, nomeadamente com encargos sociais, que aqueles países não têm. Em Portugal, os empresários têm que fazer face a esta realidade. Agora, com esta taxa, arriscamo-nos a perder poder concorrencial.

Mas também tem sido defendido que o Algarve deve competir pela qualidade e não pelo preço…
Claro que sim, mas todos sabemos que a negociação em setores abertos, como é o turismo, e estando no espaço mais concorrencial do Mundo neste setor, que é o espaço mediterrânico, todos os fatores são determinantes. Por exemplo, quando os britânicos, o nosso principal mercado emissor, é afetado com uma queda do poder de compra face ao euro, é natural que o preço se torne um fator mais importante à hora de decidir onde passar férias. E quando a libra caiu, face ao euro, a lira turca caiu 40 por cento, ou seja, apesar de tudo, o britânico ganhou poder de compra na Turquia. Além da Turquia, da Tunísia e do Egito, a Grécia também fez uma retoma significativa ao nível da capacidade de gerar uma procura adicional. Países como Malta ou Chipre também retomaram uma capacidade muito interessante de captar novos públicos. Este é um mercado que está sempre em ebulição. Não me parece que seja a altura para introduzir um fator de agravamento da capacidade concorrencial num setor que já tem esta realidade.

Disse que já tinham alertado para essas situações, ou seja, os municípios sabem disso. Na sua opinião, o que é que os levou a avançar com a taxa?
Os nossos autarcas conhecem a realidade e também tenho a certeza de que não são irresponsáveis. Percebo que, face às necessidades de intervenção no território, os municípios queiram encontrar novas fontes de receita. Eu também tenho o cuidado de procurar novas fontes de receita para responder às necessidades da RTA. É um exercício natural nas organizações em geral. Mas o turismo já contribui, em grande parte, para as receitas dos municípios. O IMI, o IMT e a Derrama representam uma grande fonte de receita para boa parte dos municípios. E a partir de agora também o IVA. Tudo isto está diretamente ou indiretamente ligado à atividade turística. O turismo já contribui com uma série de impostos e taxas para a capacidade da atividade dos municípios. Também compreendo que os municípios já não têm tanto acesso a fundos comunitários, como tiveram no passado. E o Algarve precisa de investimento. Aí não posso deixar de estar de acordo com os autarcas. É preciso encontrar recursos para intervir no território. Penso que terá sido isso que os terá levado a avançar.

Os municípios garantiram que as receitas serão aplicadas em infraestruturas para “combater a sazonalidade e promover a qualidade do destino turístico”…
Sendo uma taxa, todo o valor tem que ser indexado ao turista. Tem que ser aplicado no seu bem-estar, numa melhor condição de visita… A taxa tem exatamente essa diferenciação em relação ao imposto, ou seja, tem que beneficiar quem a paga. Estaremos muito atentos a essa questão para garantir que esses valores sejam aplicados no setor do turismo e não sejam para fazer face a outras necessidades. Depois, também se coloca outra questão que tem a ver com o facto de, na prática, não ser uma taxa turística mas sim uma taxa sobre o alojamento classificado turístico.

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Ao ser cobrada através das unidades hoteleiras, os restantes turistas beneficiam e não pagam…
Exatamente. Um turista que não fique num alojamento classificado e fique na casa de um familiar ou em casa própria, não paga a taxa. Mas isso não significa que não induza uma pressão semelhante no território. Consome água, utiliza as ruas, produz lixo, tal como qualquer outro turista. Por exemplo, um autocaravanista também não pagará esta taxa. Na verdade, trata-se de uma taxa que incide, apenas, sobre as pessoas que ficam nos hotéis do Algarve.

A percentagem desses outros turistas é grande? Há dados sobre isso?
Não há dados concretos. Sabemos que há 425 unidades de alojamento classificadas no Algarve e, de acordo com os Censos de 2011, há 150 mil residências secundárias. Como diria alguém, é só fazer as contas. Alguns destes últimos alojamentos são usados como alojamento local, mas muitos também são usados de forma não legal.

Também não concorda que a cobrança seja feita através das unidades hoteleiras?
A questão não é tanto a forma de cobrança, mas o facto da taxa ser dirigida apenas a uma parte de um subsetor do turismo.

Já fazia parte da direção da RTA, como vice-presidente, e foi responsável pelo planeamento estratégico. O que é que vai mudar agora?
A novidade é o facto de termos alguém na presidência que vai dar continuidade a uma estratégia que tinha sido definida. Em Portugal há muito o hábito de mudar tudo quando muda a liderança. Definimos a nossa estratégia antes da CCDR definir a estratégia para a região, aliás, muito bem definida, e antes do Turismo de Portugal ter definido o seu plano estratégico para o país. Se o Algarve é a principal região turística do país e se o motor da economia regional é o turismo, temos que ser capazes de produzir uma orientação de forma a contribuir para a estratégia nacional do setor e para poder ajudar a região a definir a sua. Foi nessa perspetiva que em 2013 já tínhamos elaborado as linhas gerais da nossa atuação. Já tínhamos definido que era necessário diversificar e enriquecer a oferta, diferenciarmo-nos pela identidade… É a partir daí que surgem várias apostas.

Quais são essas apostas?
Por exemplo, apostámos no turismo de natureza quando pouca gente estava consciente da necessidade dessa abordagem. Cerca de 40 por cento do território do Algarve tem um estatuto de proteção ambiental e olhamos pouco para essa realidade. Esse turismo de natureza impacta nos mercados emissores que já nos conhecem. Não é preciso fazer o esforço de ir lá para fora dizer que existe Portugal, que existe o Algarve, montar linhas aéreas… Isso já estava feito. Como o exercício era mais certeiro, deu bons resultados. Casou a realidade do território e a capacidade crescente da oferta com tendências de procura nos mercados emissores que já tínhamos. Definimos quais eram os principais segmentos de aposta, ou seja, o ‘birdwatching’ [observação de aves], o ‘walking’ [caminhadas] e o ‘cycling’ [ciclismo]. Começámos com a Algarve Nature Week e associármo-nos a outras iniciativas de turismo de natureza, como o Festival de Birdwatching de Sagres, festivais de caminhadas, ações específicas como o Ultra Trail Running, o Algarve Bike Challenge… Montámos um projeto que foi pioneiro em Portugal, no âmbito do ‘walking’ e do ‘cycling’, que hoje faz parte de um projeto mais amplo que é o Portuguese Trails… Além do turismo de natureza, também apostámos no turismo náutico, entre outros. Estivemos na linha da frente da diversificação da oferta. Ao nível da diferenciação da identidade, já vamos na terceira edição do 365 Algarve. Trata-se de um programa cultural que estimula artistas da região a pegar em elementos que nos caracterizam e nos diferenciam, as nossas tradições, a nossa história, os nossos usos e costumes, e criar em cima desse património para que isso, depois, se traduza em inovação na oferta turística. Na altura, toda a gente nos dizia que o casamento entre cultura e turismo era quase uma impossibilidade. Houve várias tentativas, mas só estes dois últimos secretários de Estado, do Turismo e da Cultura, é que foram capazes de abraçar este projeto, dando-nos a possibilidade de o concretizar.

E no futuro?
Vamos manter esta abordagem porque ela é importante. Naturalmente, vamos ter que corrigir, aqui ou além, algumas intervenções que foram menos conseguidas, mas vamos focar-nos ainda mais naquilo que é a estratégia. Em termos de ação, e além da diversificação da oferta, é preciso reforçar as rotas, principalmente, no inverno. Tudo o que fizermos tem que ter, sempre, a perspetiva da sustentabilidade, não só ambiental, mas também social e económica. Também estamos a criar um portfólio de prédios devolutos, públicos e privados, para captar investidores de forma a que esse edificado que mancha as nossas zonas de visita possa ser requalificado e passe a ser um ativo em vez de ser uma zona degradada. Só deverá estar concluído no final deste mês, mas já tivemos investidores interessados. Vamos trabalhar com as agências de viagens no sentido de definir pacotes de visita à região durante o inverno, na lógica, por exemplo, dos fins de semana alargados relacionados com o turismo de natureza, com a cultura, com a náutica… Também queremos trabalhar com o IEFP, em termos de emprego, e com outros parceiros, entre os quais os dos vários subsetores do turismo.

Muitas das apostas que referiu incidem na chamada época baixa. A sazonalidade já não é o que foi em tempos, mas continua a ser um problema na região. Porque é que é tão difícil de resolver?
Não é só a sazonalidade. A litoralização é outro exercício que também é muito difícil e que é necessário persistir em termos de apostas, porque temos a exploração muito concentrada numa faixa do litoral e pouco abrangente em termos de interior. Quanto à sazonalidade, e isto é comum a todos os destinos turísticos do sul da Europa, temos que ter consciência de que os nossos principais mercados emissores são os países do norte da Europa e do hemisfério norte em geral. Todos estes países têm um calendário de férias semelhante. E estamos a falar de destinos, essencialmente, para famílias com filhos que têm o calendário escolar como uma das condições para fazer férias. A sazonalidade não é induzida apenas por questões climatéricas, é também uma realidade que resulta desta condição. Queremos continuar a ter cá famílias, mas outra das nossas apostas é, por exemplo, o turismo sénior. E queremos ir a outros níveis de procura, como, por exemplo, pessoas que já não têm filhos a cargo, jovens que têm outra disponibilidade para viajar… A nossa grande aposta é a sustentabilidade em geral, através da atenuação da sazonalidade e, também, da coesão territorial e social. O Algarve melhorou em termos de estabilidade no emprego, de criação de emprego no setor do turismo em época baixa, de remunerações, mas ninguém pode estar ainda satisfeito. Todos temos consciência de que é necessário melhorar ainda mais as condições dos residentes.

A estratégia tem quatro anos, mas, entretanto, o Mundo mudou. Alguns dos destinos concorrentes do Algarve estiveram em quebra, porém já começaram a crescer novamente. Que medidas é que foram tomadas tendo em conta essa situação?
O nosso plano estratégico já foi revisto uma vez e voltará a ser revisto no final do próximo ano, precisamente por causa desta realidade. Temos dois níveis de intervenção, dois pilares: a oferta e a procura. Se formos ver, houve situações que ninguém esperava, como por exemplo o Brexit. Quando definimos a nossa estratégia, ainda não tinham acontecido as instabilidades em países como a Turquia, a Tunísia, o Egito… Esses países estiveram, depois, praticamente fechados e agora retomaram o seu caminho natural. Fazemos sempre comparações com o ano anterior e, para nós, o ano anterior foi o melhor de sempre. Será que estamos a atravessar uma crise ou a consolidar resultados extraordinários? Em Portugal, quando não estamos em euforia estamos em depressão. Não há razão para isso. Este ano, e até agora, a hotelaria algarvia regista mais dormidas e mais receitas do que no mesmo período, por exemplo, de 2016 e de 2017, que foram dos melhores anos de sempre. Em relação a 2016, estamos a crescer em procura, e, em relação a 2017, estamos a crescer em receita.

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Quer dizer que não há razão para ter medo?
Temos que estar atentos, porque vivemos no contexto mais concorrencial do Mundo em termos de turismo. A procura é volátil e os destinos concorrentes têm estratégias dinâmicas e realidades que podem mudar do dia para a noite. Mas mesmo com toda esta turbulência, de sobe e desce, de outros destinos, o Algarve consolidou uma procura que, à partida, não era sua. O turista que visitava determinados países do Mediterrâneo, quando não teve essa oportunidade foi para Espanha, França, Itália e também veio para o sul de Portugal. Veio, gostou e foi repetindo, porque normalmente quem nos conhece gosta e continua a vir.

E em relação ao Brexit? Está previsto que o Reino Unido abandone a União Europeia em março…
Evidentemente que nos preocupa, mas repare: tivemos, este ano, um conjunto de fatores muito adversos em simultâneo e, mesmo assim, continuámos a crescer em valor e em volume. Tivemos, no final de 2017, a falência de três companhias aéreas que representavam dez por cento dos passageiros do aeroporto de Faro. O Brexit fez cair a libra substancialmente em relação ao euro e, como é habitual, a incerteza gera um menor consumo. Tivemos seis meses de clima adverso, o que nunca acontece no Algarve. Tivemos um Campeonato do Mundo de futebol no continente europeu, o que desvia sempre alguns fluxo turísticos. Além de tudo isto, os nossos mercados concorrenciais emergiram. Mesmo assim, o Algarve continuou a ter um excelente desempenho.

O alarmismo poderá ser exagerado agora. E a médio ou a longo prazo?
Evidentemente que não podemos estar descansados nem deixar de ter em conta que a realidade muda. Por isso, temos que continuar a diversificar as motivações de visita à região. Temos que tornar a experiência de quem nos visita cada vez mais rica, mais autêntica, mais emocional, mais integrada com a vida local, para que as pessoas continuem a identificar-se, cada vez mais, com este destino de férias. Temos que melhorar tudo isto e continuar a trabalhar, cada vez mais, sobre aquilo que somos. Mas também temos muito orgulho em ser o melhor destino de praia da Europa e o melhor destino de golfe do Mundo. Temos que continuar a trabalhar para que as pessoas continuem a visitar o Algarve pelas praias e pelo golfe, porém, também é muito importante diversificar a oferta, com mais produtos que contribuam para atrair turistas ao longo de todo o ano.

É vice-presidente da ATA, a entidade responsável pela promoção externa, da qual a RTA é sócia fundadora. Estão previstas outras apostas em termos de mercados, além dos mercados emissores tradicionais?
Há estratégias para diversificar o mercado e tem havido apostas muito interessantes. Está a decorrer uma tentativa de diversificar, mas, obviamente, não posso falar de operações concretas. Porém, vale a pena retomar, por exemplo, a aposta no mercado canadiano. Há cerca de 15 anos, o mercado canadiano era o único que tinha mais estadias em época baixa do que em época alta no Algarve. Este tipo de mercados, ou seja, que tem estadias longas, alto poder aquisitivo e procura preferencial pela época baixa, deve ser considerado com muita atenção, porque contribui para atenuar a sazonalidade. Os canadianos têm por hábito passar férias no sul dos Estados Unidos e nas Caraíbas, mas estão a procurar cada vez mais os destinos do sul da Europa. Temos que estar atentos a estas oportunidades. O número de turistas do Brasil e dos Estados Unidos também tem vindo a crescer muito significativamente no Algarve. Ainda não representam muito peso no total, mas, ano após ano, têm registado crescimentos de mais de 20 por cento. Já fazem parte do top-10 dos mercados emissores da Região e continuam a crescer. Os franceses continuam com um grande fulgor na procura do Algarve e já estão quase a par dos principais mercados emissores tradicionais. São realidades que devem ser acompanhadas e estimuladas, para que o Algarve tenha várias opções. Sem descurar, como é evidente, os nossos mercados tradicionais, ou seja, britânico, holandês, alemão…

O mercado russo tem sido uma das apostas de alguns dos destinos de praia de Espanha. Os russos são muitos, estão na Europa e viajam muito. Está entre as apostas da RTA?
A Rússia está no nosso plano estratégico como um mercado ao qual devemos estar atentos. Mas há um conjunto de vicissitudes que tem a ver com os próprios operadores turísticos, com a necessidade de haver ligações aéreas… Não podemos olhar para um mercado só por ser bom, temos que saber quanto é nos vai custar trazer esse mercado e quais são os recursos que temos que mobilizar. Às vezes, por muito bom que seja um determinado mercado, não é possível. Claro que os russos são um mercado interessante, mas não podemos ter tudo o que gostaríamos de ter. Se tivéssemos recursos ilimitados, podíamos apostar em todos os mercados e montar rotas para todo o lado. Infelizmente isso não é possível.

As companhias aéreas ‘low cost’ (baixo custo) são o grande pilar da entrada de turistas na região pelo aeroporto. Isto não significa também a entrada de muitos turistas com menos poder de compra? É difícil mudar esta realidade?
Hoje em dia, qualquer pessoa viaja em ‘low cost’. É mais uma opção de deslocação. Porém, tal como acontece com o tipo de oferta e com a procura de mercados, claro que também é positivo diversificar na área da aviação e das operações turísticas. Temos que ter os devidos equilíbrios, mas sem descurar os nossos parceiros, sejam companhias ‘low cost’, sejam operadores turísticos ou companhias de bandeira.

Significa que a Região não está acomodada ao ‘low cost’?
A Região nunca deve estar acomodada a nada. Deve estar sempre numa perspetiva de melhoria contínua.

Tivemos na Região o Campeonato do Mundo de Ralis e chegou a falar-se da possibilidade de um grande prémio de F1, após a abertura do Autódromo do Algarve. Os especialistas asseguram que os grandes eventos de nível mundial têm um grande peso na promoção de uma região. É possível voltar ter um evento desta dimensão no Algarve?
Tem que ser possível. Além da oferta que é preciso proporcionar para enriquecer a estadia de quem cá está, também é necessário ter eventos que sejam capazes de nos projetar internacionalmente e de gerar uma motivação de visita primária de grande expressão. Estamos a fazer esse esforço, evidentemente com a colaboração de outros atores da região. Queremos trazer um grande evento internacional para o Algarve e estamos a trabalhar nisso por que é fundamental.

Qual será esse evento?
Estamos a trabalhar nisso. Ainda não há garantias e, como deve compreender, não posso revelar. Se não resultar, tentaremos outro. O Algarve precisa de um grande evento internacional. É importante que o Algarve tenha um grande evento de dimensão internacional e é importante que aconteça fora da época alta.

A ideia é trazer esse evento a longo prazo ou mais no imediato?
Ainda estamos a trabalhar nisso e não temos a certeza se será para já ou para daqui a uns anos.

É um evento desportivo? É novamente automobilismo ou será outra modalidade?
Não posso dizer. E não é por falta de interesse em divulgar. Tem a ver com as negociações. Não podemos perder capacidade negocial.

Que retrato faz da oferta hoteleira que o Algarve tem atualmente? Pensa que ainda há espaço para mais hotéis?
A principal aposta deve ser a requalificação da oferta existente e não o aumento desmesurado da oferta. Por exemplo, há pessoas que estão constantemente a comparar o Algarve, por exemplo, com Lisboa e Porto e com as novas unidades que abrem lá. São realidades completamente distintas. O Algarve é um destino maduro, enquanto Lisboa e Porto ainda têm muito espaço para crescer nesta área. O Algarve deve olhar para a sua oferta e colocar como principal prioridade a requalificação. Desde o momento em que fui eleito, e até ao momento em que tomei posse, encetei negociações diretas com o Turismo de Portugal e com a secretaria de Estado do Turismo para que houvesse uma linha de financiamento para esta realidade. E esta linha vai para a requalificação dos hotéis existentes e não para a criação de novas unidades. Se aparecerem novos hotéis até pode ser uma vantagem, mas apenas se for uma oferta realmente muito diferenciadora. Mesmo assim, deve ser sempre vista com cautela. Se queremos avançar no caminho da sustentabilidade, não podemos aumentar a oferta indefinidamente.

Os sindicatos têm-se queixado de que a hotelaria algarvia tem salários baixos. Quer comentar esta situação?
Os sindicatos defenderam essa posição e, segundo o que é do meu conhecimento, firmaram convenções coletivas com as associações empresariais que evoluíram positivamente em relação à remuneração dos trabalhadores. E acho muito bem. Aliás, defendo que estes ajustamento devem ser feitos regularmente. Uma melhor remuneração permite-nos ter trabalhadores mais qualificados, empregos mais estáveis e, consequentemente, uma melhor qualidade do serviço. Penso que as próprias associações empresariais reconheceram essa realidade e, por isso, firmaram convenções coletivas mais condizentes com as necessidades dos trabalhadores. E é justo que isso aconteça.

Defendeu, recentemente, que umas das suas prioridades é encontrar outras formas de financiamento para a RTA, além do Orçamento do Estado. Como é que se consegue e até onde é que já chegou esta ideia?
Normalmente olhamos para os fundos comunitários como sendo a fonte de receita que melhor alavanca a nossa atividade. É um facto. Mas, por norma, dirigimo-nos apenas aos fundos comunitários alocados à Região. Porém, há um conjunto de outras fontes para financiar a atividade de organizações públicas desde que esses projetos, por exemplo, tenham parceiros internacionais, entre outros critérios. Começámos a trabalhar nisso ainda antes da nossa entrada em funções.. Por exemplo, já estamos no projeto “Eurovelo 1”, uma via ciclável que vai desde a Noruega até Sagres, com uma extensão até Caminha. É um projeto que tem um vasto conjunto de parceiros numa lógica de aposta que nós consideramos estratégica. Precisamos de estar atentos a estas oportunidades e estamos a trabalhar no sentido de avançar com mais alguns projetos. Mas não vamos fazer coisas só porque são financiadas, vamos fazer se elas forem estratégicas.

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