Loulé: Experiências criativas promovem o barrocal e o interior do concelho

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Com o objetivo de dar a conhecer junto dos operadores turísticos e da imprensa regional a diversidade do Concelho de Loulé para além do tradicional “sol e praia”, a Região de Turismo do Algarve, com o apoio da Câmara Municipal, promoveu na passada quinta-feira mais uma ‘fam trip’ “Redescobrir os segredos do Algarve”, desta vez no maior município algarvio.

O Barrocal, a Beira Serra e a Serra foram os pontos de passagem desta visita que pretendeu mostrar a potencialidade turística destas zonas marcadas pela desertificação mas que mostram um Algarve genuíno que mantém as suas tradições, catapultada pelos projetos em curso na área do turismo criativo.

“Temos em marcha o projeto Loulé Criativo que tem em vista promover o turismo, aliando-o ao território. Uma das nossas grandes lutas é, sem dúvida, a coesão territorial”, afirmou Pedro Pimpão, vice-presidente da Câmara, durante a receção da comitiva nos Paços do Concelho.

O Mercado Municipal, um verdadeiro ex-líbris da cidade e que é o local mais visitado em Loulé pelos turistas nacionais e estrangeiros, foi o ponto de partida da visita. Trata-se de um espaço marcado pela diversidade dos produtos tradicionais frescos, do peixe aos legumes, passado pelo mel, enchidos e muito mais, mas no qual se destaca a beleza da sua traça arquitetónica de características neoárabes, com os seus quatro imponentes torreões.

Logo ao lado do Mercado, a escultura da “Vendedora”, em homenagem a uma figura bem típica de quem aqui comercializa a alfarroba, a laranja, a amêndoa ou o figo, só concorre em termos de popularidade junto das máquinas fotográficas dos turistas com a escultura do poeta António Aleixo à porta do Café Calcinha.

Naquele que é um dos “Cafés Portugueses com História”, os operadores e jornalistas puderam apreciar o interior do recém-remodelado Calcinha, espaço de tertúlia louletana durante décadas, muito associado à vida e obra de António Aleixo.

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No enquadramento da Zona Histórica de Loulé, a visita seguiu pela Cerca do Convento Espírito – antigo convento de freiras franciscanas – que alberga hoje o Loulé Design Lab. Um laboratório de criação, investigação e experimentação onde são disponibilizadas condições para a formação e fixação de uma comunidade criativa, com o design como eixo de ação, com forte ligação à cultura local e em rede global com outras instituições e projetos de referência. As principais linhas programáticas deste espaço são o acolhimento e a incubação de criadores em espaços de coworking, oficinas partilhadas e showroom; a promoção de projetos de investigação aplicada à produção local; um laboratório de criação e desenvolvimento de produtos; uma rede de oficinas parceiras e uma programação regular com residências artísticas, workshops, conferências e exposições. Neste momento encontram-se incubados 10 projetos.

Porta de entrada no casco medieval da cidade, a Ermida de Nossa Senhora da Conceição é um dos mais importantes edifícios eclesiásticos do Concelho e que é também ponto de visita obrigatória por parte dos turistas. Construído após a Restauração, destaca-se no seu interior o altar em madeira coberta em ouro oriundo do Brasil, bem como os azulejos do século XVIII que retratam a vida da Virgem Maria.

Na Alcaidaria do Castelo, a comitiva teve a oportunidade de ver os vestígios da ocupação no território do Concelho ao longo dos séculos no espaço do Museu Municipal, agora um pouco desfalcado já que muitas das peças que estão aqui expostas encontram-se, neste momento, na Exposição “Loulé: Territórios, Memórias, Identidades”, no Mosteiro dos Jerónimos.

Seguiu-se a visita aos Banhos Islâmicos, os únicos banhos públicos a descoberto em Portugal, postos a nu no desenrolar das obras de requalificação da Zona Histórica. A arqueóloga da Autarquia, Isabel Luzia, falou da importância destes Banhos durante a ocupação muçulmana e do interesse da Autarquia em musealizar o espaço.

No âmbito do projeto Loulé Criativo, ainda durante a manhã houve tempo para uma passagem na Casa da Empreita e na Oficina do Caldeireiro. Esta iniciativa que aposta na valorização da identidade do território, tendo como força motriz a criatividade e a inovação, apoia a formação e atividade de artesãos e profissionais do setor criativo, contribuindo para a revitalização das artes tradicionais e para a dinamização de novas abordagens ao património imaterial.

Ainda no âmbito de uma componente tradicional, houve tempo para uma passagem pelo Pólo Museológico dos Frutos Secos. Localizado numa pequena unidade fabril de transformação e comercialização de frutos secos, desativada na década de noventa do século passado, este Pólo Museológico conta a história desta atividade económica e da sua importância para Loulé enquanto pólo comercial de frutos secos.

Após um almoço em Querença onde os participantes nesta ‘fam trip’ puderam degustar algumas das tradicionais iguarias desta aldeia conhecida também pela sua gastronomia, a visita decorreu em Salir, nomeadamente no novo espaço criado na antiga escola primária que serve de posto de turismo e de área de venda de produtos tradicionais, em mais uma aposta na valorização das artes e ofícios tradicionais.

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A Quinta da Tôr foi o local escolhido para o encerramento desta visita. Os proprietários desta quinta, cientes das qualidades do Barrocal, recuperaram a vinha existente na propriedade e construíram uma adega. O microclima, as temperaturas baixas no inverno e quentes no verão, favorece boas e equilibradas maturações das cinco castas de tintos e três de brancos que esta terra tem para oferecer. A produção começou em 2013 e, neste momento, a Quinta da Tôr tem já projetos de valorização na área do enoturismo. Este é, de resto, um dos parceiros do projeto Loulé Criativo.

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