Monchique: A qualidade à frente da quantidade na Feira do Presunto

Os presuntos e os enchidos são produzidos de forma artesanal em Monchique, para “manter os saberes e sabores que nos foram passados pelas gerações anteriores”

O cheiro e o sabor do “genuíno e exclusivo” presunto da serra de Monchique vão estar em destaque na 21ª edição da Feira do Presunto, que vai ter lugar, nos próximos dias 28 e 29 de julho, no parque de S. Sebastião, com entrada livre.

Há muitos anos que o presunto serrano de Monchique é uma garantia de qualidade. A explicação está na alimentação especial que é dada aos porcos, já que as pessoas daqui aproveitam os produtos das hortas para dar de comer aos porcos. “E isso faz toda a diferença”, afiançam.

Ao contrário de outras produções, que alimentam os porcos unicamente com cereais, na serra de Monchique, os animais podem assim comer bolotas ao ar livre e a criação dos porcos é feita em terras montanhosas com bastante espaço, para que os animais fortaleçam os músculos. Depois da engorda, a produção do presunto consiste na salga, secagem e maturação.

“Trata-se de um processo que dura vários meses, mas que torna o presunto de Monchique ainda mais saboroso e valioso”, sublinham os produtores locais. Um presunto de porco preto custa cerca de 12,5 euros por quilo.

“A nossa imagem de marca é o que fazemos com qualidade”

Atualmente, já existem no concelho uma mão cheia de fábricas de enchidos que se encontram legalizadas e a produzir ao longo de todo o ano, que empregam cerca de 35 pessoas.

Uma das empresas familiares que foram pioneiras nesta atividade pertence a Idália Duarte e António Sequeira Duarte, que desenvolveram uma unidade de produção de enchidos de porco preto devido “à vontade em preservar os usos e costumes na serra de Monchique”.

Com mais de duas décadas de atividade, esta empresa familiar dedica-se à criação do porco preto certificado em regime extensivo, ou seja, ao ar livre. “As carnes por nós produzidas são depois comercializadas no nossa loja do porco preto (situada no centro da vila de Monchique)”, refere o casal de empresários, que têm a unidade de produção estrategicamente localizada no coração da serra de Monchique, onde se produzem os presuntos e diversos enchidos, tais como chouriço de carne, morcela de carne, molho de arroz, farinheira ou morcela de farinha, torresmos, lombo na banha, toucinho, banha branca e banha corada.

“Os nossos enchidos são produzidos de forma artesanal, mantendo os saberes e sabores que nos foram passados pelas gerações anteriores”, garantem Idália Duarte e António Sequeira Duarte, realçando que “toda a nossa produção respeita todas as regras de higiene e conservação vigentes”.

“Somos uma unidade de produção de qualidade e não quantidade e essa é a nossa imagem de marca, o que fazemos com qualidade”, sublinham os empresários, que em abril de 2015 inauguraram também uma fábrica de produção de medronho e doçaria local. Tal como no caso dos enchidos e presuntos, esta empresa familiar recria “receitas que os nossos avós nos passaram, sempre respeitando e recuperando algumas tradições já esquecidas no tempo que pretendemos agora reavivar nas memórias dos nossos clientes”.

“Usar o conhecimento dos nossos ancestrais com zelo e carinho”

Este saber familiar, que passou de geração em geração, também permitiu a Envagelista de Oliveira criar, em 2001, uma unidade produtora na serra de Monchique.

“Toda a carne que serve de matéria prima é de criação própria de porcos pretos, tendo em conta uma alimentação à base de cereais, para que os nossos enchidos e presuntos sejam ricos em paladar e em qualidade, com um gostinho da nossa tradição”, frisa ao JORNAL DO ALGARVE o empresário de 51 anos, que para além da fábrica na serra de Monchique, também já abriu uma em Aljezur, em 2006. “Além de distribuirmos para os nossos talhos, também localizados na serra de Monchique e em Aljezur, distribuímos para todo o Algarve e Alentejo”, adianta Envagelista de Oliveira, frisando que a empresa prima pela qualidade e “usa o conhecimento dos nossos ancestrais que se dedicaram a esta arte com zelo e carinho”.

Envagelista de Oliveira afirma ainda ao nosso jornal que o futuro desta atividade está assegurado. O empresário tem um filho a acabar o curso de gestão e economia que vai trabalhar em breve consigo. “Desta forma, vai haver continuidade naquilo que fazemos, sempre com a qualidade à frente da quantidade”, refere.

A Feira do Presunto tem assim como principal objetivo “dar a conhecer e promover comercialmente o presunto de Monchique”, mas também “funcionar como polo de demonstração dos produtos tradicionais do campo”, como o mel da serra, a tradicional aguardente de medronho, a doçaria caseira, as compotas de frutos naturais, entre muitos outros produtos tradicionais.

Esta edição, o cartaz da feita conta com as atuações de Aurea (dia 28) e Blaya (29).

(REPORTAGEM PUBLICADA NA EDIÇÃO DO JORNAL DO ALGARVE DE 19 DE JULHO)

Nuno Couto|Jornal do Algarve

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