ECONOMIA MUNDO

Moody’s ameaça rating da Alemanha

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A agência de notação passou a negativa a perspetiva da dívida pública da Alemanha, bem como da Holanda e do Luxemburgo. A desagregação da zona euro poderá vir a ser a razão para a retirada da nota máxima de triplo A à locomotiva atual da União Europeia. Em Espanha e Itália discutem-se cenários de saída do euro.

A agência de notação Moody’s decidiu passar a negativa a perspetiva sobre a dívida pública da Alemanha, o que significa que, num horizonte próximo, poderá degradar a notação do país que é a locomotiva atual da zona euro e da União Europeia. A Moody’s deixa no ar a possibilidade de cortar o rating máximo de triplo A. A dívida alemã é considerada pelos investidores como um dos valores de refúgio atuais, a par da dívida suíça ou norte-americana, o que se constata nos juros negativos dos Bunds (títulos alemães) nos prazos a 2 e a 3 anos, e nos juros muito baixos nos restantes prazos.

Mas esta opção dos investidores da dívida tem o seu reverso da medalha em relação ao espaço europeu. A par desta fuga dos investidores para os títulos alemães tem-se assistido à degradação acelerada das dívidas dos “periféricos” da zona euro e à ameaça de um processo em cascata de desagregação da zona euro e do projeto geopolítico europeu. Apesar do governo alemão declarar que a saída da Grécia da zona euro (a ocorrer) “não é uma tragédia”, o efeito em cadeia de um tal “evento de risco” é desconhecido. O momento crítico para a Grécia será aquando da entrega em setembro do relatório da visita da troika em curso.

Cenários de saída do euro

O jornal El Confidencial citou hoje fontes governamentais sobre a hipótese do governo de Mariano Rajoy colocar em cima da mesa a possibilidade de uma saída do euro e em Iália o ex-primeiro ministro Sílvio Berlusconi já aflorou o mesmo tema, dentro da sua campanha política para regressar ao poder após próximas eleições, face ao crescimento exponencial do sentimento anti-euro.

O rumor de um tal cenário esgrimido pelo governo de Rajoy insere-se na visita que o ministro da Economia Luis de Guindos realiza hoje à Alemanha para conversações com o ministro alemão das Finanças Wolfgang Schauble. A situação espanhola é de alto risco, com um refinanciamento de dívida em outubro na ordem de 28 mil milhões de euros e com as yields (juros) das obrigações espanholas acima de 7% em vários prazos,

Num momento próximo, os custos de segurar a Espanha e a Itália na zona euro serão muito elevados para o Tesouro alemão e para os bancos alemães fortemente expostos às dívidas soberanas da terceira e quarta economias da zona euro. Por outro lado, apesar das várias “bazucas” usadas por Mário Draghi, os canais de transmissão da política monetária do Banco Central Europeu não estão a funcionar nem no mercado interbancário da zona euro nem em direção à economia real.

A Moody’s passou também a perspetiva negativa a apreciação das dívidas da Holanda e do Luxemburgo. As notas da dívida francesa e austríaca, que já estão em perspetiva negativa desde fevereiro, serão, também, apreciadas no final deste terceiro trimestre. Apenas a Finlândia escapou.

Jorge Nascimento Rodrigues (Rede Expresso)
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