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Pedofilia: Casa Pia lança manual “de actuação”

A Casa Pia de Lisboa lança hoje o primeiro manual feito em Portugal para profissionais que trabalham com crianças com orientações sobre a forma de agir em caso de indícios de abuso sexual de menores.

“O problema foi desocultado na Casa Pia e perante o caso os profissionais tiveram de reagir, pelo que este livro é uma reação a um problema que sabíamos que existia, mas que ninguém agia sobre ele”, afirmou à agência Lusa a presidente do Conselho Diretivo da instituição, Joaquina Madeira.

O livro “Linhas Orientadoras para Atuação em Casos de Indícios de Abuso Sexual de Crianças e Jovens” é lançado hoje no Centro Cultural Casapiano e enquadra-se no projeto de reestruturação da Casa Pia, que passa também pela implementação de medidas de prevenção de abusos sexuais, depois do escândalo de pedofilia denunciado há oito anos.

“A preocupação da Casa Pia ao tomar esta iniciativa é que os profissionais saibam como hão de fazer quando há indícios de abuso sexual, privilegiando a intimidade e dignidade das crianças”, sublinhou a responsável, acrescentando que o manual é uma ferramenta de trabalho para os profissionais das várias instituições que lidam com crianças e jovens, além das comissões de proteção de menores.

O livro contempla um conjunto de procedimentos, entre os quais “o que fazer etapa a etapa a nível de saúde, intervenção social e policial a partir do momento em que uma criança revela ter sido vítima de abusos”.

“A criança não pode ser vitimizada uma segunda vez durante a intervenção dos técnicos”, alertou.

Para a presidente da Casa Pia, o manual pretende assim “dar novos olhos” aos profissionais, dotando-lhes de orientações que lhes permitam também “estar atentos e perceber sinais de indícios de abusos sexuais”.

“A melhor atuação é a da prevenção, tomando medidas para que os abusos não aconteçam”, sublinhou Joaquina Madeira.

O livro clarifica o papel das várias instituições que intervêm perante indícios ou casos de abuso sexual, chamando a atenção para a importância da “cooperação e concertação” das várias entidades para “garantir uma intervenção adequada”.

O manual foi elaborado em colaboração com instituições e entidades como a Santa Casa da Misericórdia, Polícia Judiciária, Instituto da Segurança Social, Comissão de Nacional de Proteção de Crianças e Jovens em Risco e ainda por psiquiatras, advogados e juristas, reunindo contributos de 60 peritos.

Lusa/JA

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