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Portagens na Via do Infante será “machadada” na competitividade do turismo

A eventual introdução de portagens na auto estrada 22 – Via do Infante “não faz sentido” e será uma “machadada” na competitividade do turismo no Algarve, alertam  responsáveis do setor na região.

“Vai ser mais uma machadada na competitividade do turismo do Algarve, já muito afetada e abalada”, disse à Lusa o presidente da Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve, Elidérico Viegas.

Segundo o responsável, “o pagamento de portagens na Via do Infante, mais do que se pensa, pode contribuir para desmotivar e evitar visitas ao Algarve, porque é uma forma de discriminação negativa”.

“Nos principais destinos concorrentes não há portagens” e “os principais turistas que visitam o Algarve, ou seja, os ingleses, alemães e holandeses, não pagam portagens nos países de origem e os espanhóis também não pagam na maioria das auto estradas espanholas”, sublinhou.

“A introdução de portagens na Via do Infante, quando não existe, de facto, uma alternativa, não será uma boa notícia, vai prejudicar a atividade turística e a competitividade do turismo no Algarve, que já atravessam dificuldades, e poderá inibir a visita de turistas”, avisou, por seu lado, o presidente da Turismo do Algarve, Nuno Aires.

“Queremos continuar a ser o maior destino turístico português, mas para isso temos que ser competitivos no mercado nacional e nos mercados internacionais”, disse Nuno Aires, alertando que “tudo o que venha contribuir para o Algarve perder competitividade”, como portagens na Via do Infante, “é negativo para a atividade turística”.

Segundo Nuno Aires, a Turismo do Algarve está a “fazer um esforço grande para captar turistas” do mercado interno e do mercado de proximidade, o espanhol, sobretudo oriundos da Andaluzia, e “portagens na Via do Infante não vão ajudar”.

O Governo propõe a isenção da cobrança de portagens em 46 municípios atravessados pelas sete SCUT (autoestradas sem custos para o utilizador) do país, entre as quais a Via do Infante.

Os municípios do Algarve que preenchem o critério de isenção proposto pelo Governo – o Índice de Poder de Compra Concelhio (IPCC) – são Vila Real de Santo António, Olhão, Tavira, Silves e Lagoa.

Para os turistas destes mercados, frisou Nuno Aires, “as portagens vão ser mais um custo desmotivador”, tanto para os turistas andaluzes, que “não pagam portagens entre Sevilha e a fronteira” com Portugal, como e “sobretudo para as famílias nacionais”, que “já pagam outras portagens” a caminho do Algarve,

“Mais de dois terços da Via do Infante foram construídos com fundos comunitários” e a Estrada Nacional (EN) 125 “não é uma alternativa”, justificou Elidérico Viegas.

Por outro lado, sublinhou, “a Via do Infante não tem características de autoestrada” e, “mesmo que haja uma intenção política de introduzir portagens, vai ser complicadíssimo operacionalizar o sistema”.

Também para Nuno Aires, a EN125 “não é uma alternativa” e “é fundamental que seja requalificada rapidamente e só depois é que se poderá equacionar a hipótese de portagens na Via do Infante”.

“A maior manifestação de sempre em Portugal contra portagens foi feita no Algarve, em 2004, quando se pretendia introduzir portagens na Via do Infante”, lembrou Elidérico Viegas, avisando que “desta vez a situação não será diferente”.

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***

Lusa/JA

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