ALGARVE

Produção de vinhos do Algarve em queda acentuada devido à falta de chuva

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A quebra de produção dos vinhos algarvios, que se cifrou em 18% na presente campanha 2019/2020, deveu-se à falta de chuva e às adversas condições climatéricas, disse ao JA a presidente da Comissão Vitivinícola do Algarve (CVA), Sara Silva, quantificando essa descida em 300 mil litros.

No fim da passada semana, o Instituto da Vinha e do Vinho (IVV) anunciou que a queda de produção de vinho no Algarve representou a maior descida de todas as regiões vitivinícolas portuguesas e em contra-ciclo com o total da produção nacional no mesmo período.

A mesma responsável sublinhou que as regiões do Sul do País, precisamente devido à falta de chuva, não fugiram à regra das descidas de produção (à exceção da Península de Setúbal, em que a produção subiu), com Lisboa a atingir 16% de queda e o Alentejo 9%.

“Os valores poderiam ter sido mais desanimadores se não tivéssemos tido novos produtores a entrar e novas plantações”, ressalvou, informando que o Algarve teve este ano um aumento de cinco produtores, passando de 40 em 2018 para 45 na presente campanha.

Observou que no contexto dos últimos anos a quebra é relativa, uma vez que a média desses anos ronda os 1,2 milhões de litros anuais. Em 2017 foi de 1,4 milhões, em 2018 atingiu 1,6 milhões e em 2019 1,3 milhões, quantificou Sara Silva.

“Temos registado um aumento de produção. Várias casas grandes vieram-se estabelecer e foram recolhendo muita da produção dos viticultores que quase tinham deixado a vinha e que retomaram essa produção.

De acordo com o IVV, além do Algarve, cuja queda superou todas as outras regiões, as maiores quebras verificam-se nas regiões de Lisboa (-16%), da Beira Atlântico (-11%) e do Alentejo (-9%), face à produção registada em 2018/2019. No Tejo e nos Açores os decréscimos de produção são ligeiros, respetivamente de -4% e -1%.

Os dados das declarações de colheita e produção situam a produção nacional em 6,5 milhões de hectolitros, o que representa um aumento de 7% face à campanha 2018/2019 (+ 426 mil hectolitros).

Em julho, os dados recolhidos junto das regiões previam, na sua maioria, uma colheita de muito boa qualidade assente nas boas condições climatéricas e no bom estado fitossanitário.
Como balanço, a região do Douro destaca-se por ter obtido um aumento de produção superior
a 400 mil hectolitros (33% relativamente à campanha passada) e as regiões de Trás-os-Montes, de Terras de Cister, de Terras da Beira e de Terras do Dão, registam aumentos percentuais de produção superiores a 40%.

Nas regiões do Minho e da Península de Setúbal os acréscimos de produção são mais moderados, respetivamente de 7% e 6%, e na Madeira o aumento previsto é de 10%.

Na linha do verificado nos últimos anos, em todo o País, é predominante a produção de vinhos tintos, representando 61% do total produzido. O volume dos vinhos brancos, um pouco acima dos 2
milhões de hectolitros, tem um peso de 33% na produção nacional e os vinhos rosados de 6%.

A opção de produzir vinhos com aptidão para Denominação de Origem Protegida (DOP) e
Indicação Geográfica Protegida (IGP) continua a aumentar e representa, nesta campanha, 88% da produção nacional.

O IVV é um instituto público sob tutela do Ministério da Agricultura, que tem por missão coordenar e controlar a organização institucional do sector vitivinícola, auditar o sistema de certificação de qualidade, acompanhar a política comunitária e preparar as regras para a sua aplicação, bem como participar na coordenação e supervisão da promoção dos produtos vitivinícolas.

João Prudêncio

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