CULTURA

Remate certeiro: Beirute, setenta e cinco anos depois de Hiroshima

Danos causados por explosão na área portuária de Beirute, no Líbano 05/08/2020 REUTERS/Mohamed Azakir
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Senti-me deprimente, quando comecei a escrever este REMATE CERTEIRO, porque num repente o teclado do meu computador – velho como eu – deixou de escrever as leras (O), (F), (E) e (M). Ainda corri a duas lojas de chineses, mas os teclados que estavam à venda tinham sido adquiridos numa loja de penhores, pois isso ainda estavam piores que o meu, e um deles nem tinha, nem vírgulas, nem pontos finais.


Num repente, dei por mim no «jazigo». Sim, o «jazigo», que é um espaço que tenho no sótão da minha casa em Loulé, onde procuro «arquivar», o ontem e cada novo dia.


Pois, num repente, à velocidade do elevador, fui lá cima ao sótão, isto é ao jazigo, onde guardo mil coisas e uma velha «Olivetti», que adquiri às prestações, e antes de descer com ela até ao segundo andar, depois de assoprar o pó, carreguei tecla e tecla e todas funcionava e a fita corria sem travar ou enrolar. Gritei por dentro de mim: – estou salvo…


E não estava só deprimente por causa do teclado, porque também corria o risco de não dar continuidade ao meu protesto no último REMATE CERTEIRO, em relação ao tal industrial de hotelaria, que até recentemente, segundo dizem, inaugurou lá para os lados do Douro mais um hotel, quando em entrevista à SIC «vomitou», que a «fome era especulativa»


Agora, já frente a frente com a minha «Olivetti». Sim minha, que mesmo paga às prestações, é minha. Minha e segura, porque aqui não faltam letras. Nem letra por pagar, nem letras para escrever o que me vai na alma.


Olho a cada tecla e a cada batedela o meu coração acelera, porque nunca sei, se vão falhar as letras ou a fita vai enrolar, ao mesmo tempo que recupero um certa e velha intimidade entre a velha «Olivetti» e o «velhote», o que facilita a estrada que ambos vamos percorrer.


Uf, já nem me lembrava que no final de cada linha tinha que mudar de linha, empurrando para a esquerda todo o bloco, para que tudo recomeçasse oura vez. Ai que saudades do tudo automático…


O mundo é tão estranho e tão coincidente, que um dia antes da sangrenta e estranha explosão em Beirute, no dia a seguir fazia setenta e cinco anos – tinha o velhote um ano – que tinha caído sobre a Hiroshima a bomba atómica, que matou milhares e milhares de pessoas e outros milhares e milhares ficaram desfiguradas até que foram libertadas pela morte.


Depois, alguns dias depois, como quem grita «vocês estão mal enterrados» os mesmo de sempre, quase que varriam do mapa Nagasaki…


Estranho. Muito estranho este nosso mundo, tão estranho, que se não tivesse ido ao meu «jazigo», em busca minha velha «Olivetti», via-me na obrigação de escrever meia dúzia de linhas, em nome do REMATE CERTEIRO, onde não entrariam as letras: (O), (F), (E) e (M).

Pouco se sabe sobre a sinistralidade rodoviária, por exemplo, no Algarve

E como é que poderia contrariar a tal «boca», de que «A fome é especulativa», quando por exemplo só no Algarve, segundo as mais recentes informações do Banco Alimentar existe o receio de no mês de Outubro não existir capacidade para responder, ao que hoje já se cifram em mais de 30 mil pessoas, a quem o Banco Alimentar, em contraste com o NOVO BANCO, fornece alimentação, e sem saber, repetimos, citando o Banco Alimentar, que em Dezembro terão ou não capacidade e força, para ajudarem quem precisa. Afinal, ao contrário do tal empresário, a fome não é especulativa.


Depois a fome, no Banco Alimentar, não está a saldo, são uma miserável e faminta realidade. Quase que nos apetece gritar, em relação ao NOVO BANCO: Oh Ramalho vai para o trabalho…


È verdade, o mundo é tão desigual, que uns passam fome, outros, com o dinheiro que não é deles, e que já guardavam desde os tempos da peseta que gastam, segundo a imprensa, onze milhões de euros só para dormir.


E depois se admiram, quando as pessoas se revoltam e surgem à franja da discussão, ecos de Salazar, Otelo Saraiva de Carvalho, Vasco Gonçalves. Álvaro Cunhal, Mena Antunes, Mário Soares, para que o CHEGA NÃO NOS CILINDRE.


E tudo isso é tão estranho, ainda segundo a imprensa, que nem se sabe quantos bilhetes foram vendidos para a Festa do Avante, quando o PCP e a organização da Festa do Avante são um exemplo de raros equivocos e de contas certas. Esperamos que aqui não se aplique a máxima: quem anda à chuva molha-se…

E mais. Nem estamos a fazer eco, desde ontem até aos nossos dias, sobre os muitos ladrões que Deus já chamou, nem sobre os processos sobre corrupção que existem um pouco por todos os tribunais do País.


E nada disso pode ser do calor, nem da pandemia, antes do descalabro humano, alimentado por um país que muda os figurantes, mas não muda o guião do filme.


Depois, por isso mesmo, e por isso mesmo, ficamos revoltados com o silêncio dos comprometidos do País, este País, o nosso País, que não pode ser cada vez mais Lisboa, Porto e Coimbra.

Os porcos também se abatem. Desta vez na beleza do calçadão de Quarteira


Depois não percebemos bem o que se passou ou o que se passa em Reguengos de Monsaraz. Todos temos que ter direito à verdade, mas também à verdade técnica, pois às vezes certa verdade política às vezes utiliza o verniz para tapar o stencil. O que é um stencil? Vão ver ao dicionário do «Torrinha» …


O homem é imparável, e tem momentos, que ainda não se apercebeu, que vivemos um tempo de catástrofe, um espécie de temporal e não se pode pedir a António Costa, que resolva tudo, aliás, quando do grave acidente do Alfa Pendular, alertámos para a situação da linha que liga Faro a Vila Real de Santo António, que relembre-se, foi anunciado há cerca e dois anos, no Salão Nobre da Câmara Municipal de Loulé, e como aposta do governo, que iria ser electrificada. Afinal tudo como dantes…desde a inauguração da linha…


A minha velha «Olivetti» e ainda bem, vai resistido, e isso, permite-me dar conta, que Feliz da Costa, sagrou-se campeão do mundo, na formula E, e que Miguel Oliveira, arrancou o melhor resultado de sempre, 6.º no mundial.

Mas atenção, temos que nos sentir orgulhosos do feito de um e de outro, que contraria o ZERO, que se tem feito em Portugal , e muito concretamente no Algarve, em termos de educação e formação rodoviária. Alias, deixamos de conhecer os valores da sinistralidade, não apenas em termos de região, como em cada concelho do Algarve, quer através do PSP, GNR ou Brigada de Trânsito e muito menos onde moram os pontos negros. Isto foi chão que já deu uvas. E ninguém se preocupa…


Em Quarteira, há mais ou menos dois anos, António Costa, Primeiro-ministro, inaugurou o passeio das Dunas. Hoje com a criação de novas infraestruturas, que são necessárias, aquele espaço passa a ser conquistado por automóveis e até os pinos balizadores foram «rebentados» sem qualquer intervenção imediata, o que vai determinar, que em breve não haverá nada para mostrar o que foi ontem a memória futura.

Neto Gomes

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