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“Sentimento de injustiça no Algarve deve ser compensado”

Elidérico Viegas, presidente da AHETA (FOTO: Jornal do Algarve)
Elidérico Viegas, presidente da AHETA (FOTO: Jornal do Algarve)

À frente da principal associação hoteleira do Algarve desde a sua fundação, há 20 anos, Elidérico Viegas contradiz o discurso do “melhor ano turístico de sempre” e refere, por outro lado, que a situação do setor é “de muita preocupação”. Dos 539 estabelecimentos hoteleiros registados atualmente na região, “mais de 50 por cento” fecham durante a época baixa, devido a “um cocktail de condições desfavoráveis que impedem as empresas regionais de melhorar as suas prestações” e, nalguns casos, justificam casos de salários em atraso. Perante este cenário, o presidente da Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA) defende um “plano de promoção direcionado especificamente para a sazonalidade”. Nesta entrevista ao JA, Elidérico Viegas reclama ainda a construção de “coisas banais em outras zonas do país, mas eternamente adiadas na região”, como o Hospital Central e equipamentos desportivos e culturais. O empresário fala acima de tudo de um “sentimento de injustiça no Algarve” no que se refere a apoios comunitários, investimentos públicos e outros incentivos e pede, por isso, compensações num futuro próximo. Tudo isto, numa altura em que um relatório da Comissão Europeia alerta que 60% da hotelaria e da restauração corre “alto risco de falência” e a maioria das empresas está à beira de fechar as portas

 

Jornal do Algarve – De acordo com um relatório recente da Comissão Europeia, 60% das empresas da hotelaria e restauração estão em alto risco de falência. Como define a atual situação no Algarve?

Elidérico Viegas – A crise económica de 2008, onde nos encontramos profundamente mergulhados e com expectativas de recuperação muito lentas, conduziu a uma redução da procura e do volume de negócios das empresas, o que aliada à austeridade e ao aumento significativo de impostos, restrições no acesso ao crédito, etc., provocou um crescimento anormal de insolvências e o encerramento definitivo de muitas empresas e empreendimentos, tendo deixado muitas outras à mercê dos acontecimentos e conjunturas económicas internas e externas.
A situação é, obviamente, de muita preocupação, apesar das recuperações iniciadas em 2013 e das perspetivas de crescimento previstas para 2015, deixando antever que, no médio prazo, podemos atingir os níveis de ocupação e volume de negócios do passado, indispensáveis para rentabilizar os investimentos efetuados. Ou seja, existe um longo e difícil caminho a percorrer até atingirmos a sustentabilidade empresarial, financeira e turística.
A situação só não é mais grave porque as instituições financeiras perante a possibilidade de perderem todos os empréstimos decidiram, e bem, intervir, pelo menos transitoriamente, através da afetação destes ativos a fundos imobiliários e outros instrumentos, no capital e na gestão de muitos empreendimentos…

(Entrevista completa na última edição do JA – dia 16 de abril)

NC/JA

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