Sistemas municipais de bicicletas no Algarve?

Uma ideia que falta implementar em força no Algarve são os sistemas municipais de bicicletas tal como acontece, por exemplo, em Lisboa. Ou seja, os municípios disponibilizam bicicletas aos seus habitantes para se deslocarem de um sítio para outro num determinado espaço de tempo.

Esta é uma ideia óbvia e que nunca encontrei alguém que fosse contra verdadeiramente. Não só útil como ecológica. Infelizmente, só funciona bem (sem contar com bicicletas elétricas) em cidades (ou partes delas) planas ou quase. Porquê? As bicicletas tendem a acumular-se nas partes baixas. Ou seja, os utilizadores trazem as bicicletas das partes altas para as baixas não fazendo o trajeto inverso. Isto é compreensível porque custa mais pedalar a subir do que a descer.

Uma localidade perfeita para um sistema municipal é Vila Real de Santo António com as suas belas ruas que se estendem por vários quilómetros. Porém, muitas outras, também têm condições para terem sistemas municipais de bicicletas, pelo menos, em parte delas – são os casos, por exemplo, de Lagos, Portimão, Faro e Olhão.

O ideal é que os sistemas adotados fossem intermunicipais. Ou seja, por exemplo, que permitissem que os munícipes de Loulé andassem de bicicleta quando fossem a Sagres e vice-versa. Isto, sem burocracias adicionais.

No extremo, esse eventual sistema intermunicipal poderia estender-se a outros municípios dos país ou, mesmo, de Espanha que fica aqui ao lado. Assim, quando visitassem o Algarve poderiam utilizar também as bicicletas sem mais burocracias. O mesmo aconteceria para algarvios de forma inversa.

Talvez o melhor seja conversar com municípios que já têm sistemas municipais de bicicletas e, eventualmente, adotar um deles. Um desses sistemas a estudar é do município de Lisboa que é bastante sofisticado. O sistema de Lisboa assenta numa aplicação instalada nos telemóveis. Essa aplicação não só informa das bicicletas disponíveis a aonde como obriga os utilizadores a disponibilizarem as bicicletas a outros num determinado período de tempo. Isto, para as bicicletas não serem monopolizadas só por alguns.

Não posso dizer à partida que deve ser adotado o sistema de Lisboa. Talvez existam outros em funcionamento que poderão fazer mais sentido para os diferentes municípios do Algarve. No entanto, posso dizer que é uma ideia para adotar no Algarve a breve prazo e em força.

Ivo Dias de Sousa

*professor da Universidade Aberta – ivo.sous@uab.pt

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