OPINIÃO

SMS: Esta é a hora da grande solidariedade

OPINIÃO | CARLOS ALBINO
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Somos um povo muito votado a apontar defeitos. Defeitos em tudo. De tal modo que, segundo parece, sem defeitos não notícia, não há novidade, não há justificação para se abrir a boa. Dizer a verdade é assim, quase tão só o mesmo que apontar defeitos. Este exercício de apontar o que está mal ou o que se discorda, muitas vezes não o fazemos por mal. É o desejo de se acordar com o mundo perfeito, o País em paraíso, a região num jardim, a cidade numa feira de justos, a aldeia num canteiro de crisântemos. Claro que há sempre uns malandros que insistem nos defeitos, não pelo desejo de um paraíso na região, nem pela crença virtuosa dos crisântemos. Esses, possivelmente poucos (oxalá!) falam mal porque por natureza têm a boca distorcida. Mas esta não é a hora sequer de avaliar o formato da boca de quem quer que seja. É a hora apenas de solidariedade e de reconhecimento de quem se devota e se imola à causa pública, sem espera de recompensa, condecoração, subida de posto ou louvor do chefe.

A hora é para agradecermos a quem não diz “cada um que se safe”, ou que “haja fé e todos ao molho”. Em matéria de saúde, tal como o Algarve se apresenta, é um ato próximo da heroicidade fazer tudo e mais alguma coisa pelos outros, desafiando os meios e os recursos. A começar pelos médicos, enfermeiros, bombeiros, quaisquer que sejam os agentes do sistema de saúde, e a acabar nas pessoas simples que combatem o pânico, esbatem o medo e prestam ajudas por estrita solidariedade com quem precisa, quase sempre no anonimato.

Sabe-se hoje que as advertências de ontem não eram excessivas. Apelou-se à prevenção e à precaução, embora correndo o risco de quem menospreza o tal conselho de “quem me avisa amigo é”. Todos desejamos que esta inesperada crise seja breve e que não castigue em demasia uma região excessivamente dependente de uma porta de riqueza possível, directamente afetada em toda a sua extensão. E não é agora momento nem há tempo para acertar contas com os que ao longo de anos e anos descuraram a capacitação algarvia para enfrentar uma crise como a que se vive. Como também não é o momento para fazer contas com os que desdenharam de algumas realizações concretizadas. A hora é de tocar a reunir, agradecer a quem veste a sua farda com um propósito estritamente humanitário e solidário. É a hora da grande solidariedade. De todos com todos, sem nomes ávidos de destaque.

Se o Algarve vencer isto sem grande convulsão, sublinhemos a palavra Obrigado!, que em todo o caso deverá ser pronunciada e escrita.

Flagrante laxismo: Não é apenas uma, nem duas as autarquias que deixaram de hastear e fazer hastear a Bandeira Nacional nos edifícios públicos ou da administração regional e local. O Decreto-lei n.º 150/87 de 30 de março, segundo parece, ainda está em vigor.

Carlos Albino

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