ALGARVE REPORTAGEM ÚLTIMAS

Sotavento é a zona mais penalizada com o último aumento de portagens

.
.

Dez das 12 tarifas que sofreram aumento dizem respeito aos troços localizados entre Monte Gordo e Boliqueime. Em toda a Via do Infante são aplicadas 40 tarifas diferentes, dependendo dos dez troços pagos e das quatro classe de veículos. Percorrer toda a via passou a custar mais 15 cêntimos para as classes 1, 3 e 4 e mais 20 cêntimos para a classe 2

DOMINGOS VIEGAS

Afinal, o anunciado aumento do preço das portagens da Via do Infante (A22), que entrou em vigor no primeiro dia deste ano, não afeta todos os troços daquela via e cada classe de veículos só viu o preço ser aumentado nalguns deles.

Se multiplicarmos as quatro classes de veículos pelos dez troços onde se paga, verificamos que em toda a Via do Infante são aplicadas 40 tarifas diferentes (20 a sotavento e outras tantas a barlavento). Destas quatro dezenas de tarifas, 12 sofreram aumento (uma de 10 cêntimos e as restantes onze de 5 cêntimos cada). Mas das que tiveram aumento, dez são nos troços localizados entre Monte Gordo e Boliqueime e apenas duas nos restante troços, ou seja, entre Boliqueime e Lagos.

Para os veículos da classe 1 o preço só aumentou nos troços Tavira/Monte Gordo (passou para 1,75 euros), IP1/Boliqueime (é agora 1,15 euros) e Mexilhoeira/Alvor (passou para 0,45 euros). Com estas alterações, quem percorrer toda a Via do Infante num veículo de classe 1 passa agora a ter que pagar 8,85 euros (mais 15 cêntimos).

Os veículos da classe 2 viram o preço aumentar em quatro troços: Tavira/Monte Gordo (passou para 3,05 euros), Faro Este/Moncarapacho (2,25 euros), Loulé/Faro Oeste (0,65 euros) e Lagoa/Alcantarilha (1,50). Percorrer toda a via com veículo da classe 2 passou a custar 15,45 euros (mais 20 cêntimos).

Para os veículos da classe 3 só houve aumento em dois troços: Faro Este/Moncarapacho (passou para 2,90 euros e foi o único que aumentou 10 cêntimos) e IP1/Boliqueime (passou para 2,60 euros). Assim, percorrer toda a Via do Infante com um veículo da classe 3 passou a custar 19,80 euros (mais 15 cêntimos).

Finalmente, os veículos da classe 4 tiveram aumento em três troços: Tavira/Monte Gordo (passou para 4,35 euros), Faro Este/Moncarapacho (passou para 3,20 euros) e IP1/Boliqueime (passou para 2,90 euros). Fazer toda a Via do Infante num veículo da classe 4 passou a custar 22,05 euros (mais 15 cêntimos).

Perante estes números, verifica-se que no troço Tavira/Monte Gordo só não houve aumento para os veículos da classe 3, no Faro Este/Moncarapacho só os veículos da classe 1 escaparam à atualização de preços e no troço IP1/Boliqueime só não houve aumento para os veículos da classe 2.

Por seu turno, no troço Mexilhoeira/Alvor só aumentaram as portagens para os veículos da classe 1 e no troço Lagoa/Alcantarilha o preço só aumentou para os veículos da classe 2.

Os preços mantêm-se nos troços Odiáxere/Mexilhoeira, Portimão/Lagoa e Moncarapacho/Tavira, para qualquer classe de veículos. Continuam isentos os troços Castro Marim/Tavira, Faro Oeste/Faro Este, Boliqueime/Loulé, Guia/IP1, Alcantarilha/Algoz-Pêra, Alvor/Portimão, Lagos/Odiáxere e Bensafrim/Lagos.

Segundo a Infaestruturas de Portugal, os aumentos aplicados no início deste ano, em 161 das 500 tarifas das autoestradas do país “cuja taxa de portagem constitui receita da Infraestruturas de Portugal”, resultaram “da evolução positiva do valor do Índice de Preços ao Consumidor (IPC)”. A variação “é maioritariamente de 5 cêntimos e em, apenas, 12 tarifas esta variação atinge os 10 cêntimos”, explica aquela empresa pública. Refira-se que os preços das taxas de portagem da A21 (Ericeira-Venda do Pinheiro) não sofreram qualquer alteração.

PS e PSD chumbaram sempre a abolição

Até à data, e desde o início da cobrança, em dezembro de 2011, já foram apresentadas mais de uma dezena de propostas na Assembleia da República para a eliminação das portagens na Via do Infante, sempre pela mão de Bloco de Esquerda, PCP e Os Verdes, mas estas também foram sempre rejeitadas. Estas iniciativas tiveram o voto contra da força política que governava (PSD ou PS). Na altura em que o executivo era liderado por Passos Coelho o PS abstinha-se, no Governo de António Costa foram os sociais democratas a absterem-se. O CDS votou sempre ao lado do PSD.

Estas iniciativas parlamentares têm-se juntado, ao longo destes seis anos, às várias ações da Comissão de Utentes da Via do Infante (CUVI) que nunca deixou de exigir o fim das portagens, através de manifestações, buzinões, marchas lentas de veículos e outros protestos. Ficaram também famosas as ações de protesto na praia da Manta Rota, durante o mês de agosto, junto à residência de férias de Passos Coelho.

Algarvios pagam o dobro do que lisboetas e portuenses

Em meados de fevereiro de 2017, Paulo Morais, ex-candidato à Presidência da República, esteve na região a convite da CUVI para “desmontar” a parceria público-privada (PPP) da Via do Infante e revelar que “os algarvios estão a pagar pela utilização da Via do Infante o dobro do que pagam os lisboetas ou os portuenses pela utilização de vias congéneres”.

Paulo Morais, que é também presidente da Frente Cívica, sublinhou, na altura, que “a Taxa de Cobertura das Portagens, no que respeita aos custos da concessão, é no Algarve de cerca de 60 por cento, quando no resto do país, nomeadamente no Porto e em Lisboa, é da ordem dos 30 or cento”.

No mesmo encontro, a advogada Ana Ferreira, que integra a CUVI, criticou o facto do contrato da PPP da Via do Infante estar classificado como “contrato blindado”. A jurista recordou que se trata de “um contrato de parceria elaborado pelo próprio Estado” e explicou que, por esse motivo, o seu conteúdo “deveria ser do conhecimento público em geral, não podendo existir cláusulas secretas ou confidenciais”.

Os utentes da Via do Infante, bem como a maioria dos empresários e a população em geral continuam a exigir o fim do referido contrato, e a consequente abolição das portagens, alegando que estas constituem um retrocesso na mobilidade e na vida comercial e turística de toda a região algarvia, contribuindo para a desaceleração do seu desenvolvimento. Recordam ainda que as portagens fizeram aumentar o tráfego automóvel na EN125, o que tem contribuído para a ocorrência de cada vez mais acidentes e mais mortes naquela estrada.

Tamanho da Fonte
Contraste
Bloggers %d como este: