Timor-Leste: Deputados do PSD abandonaram Parlamento em protesto por ausência do MNE

Os deputados do PSD timorense abandonaram a sessão parlamentar, “por não ser o ministro dos Negócios Estrangeiros a apresentar a Lei das Procedências do Protocolo de Estado”, disse hoje à Lusa o líder da bancada.

Os deputados do PSD esperavam que a proposta de Lei fosse apresentada pelo ministro Zacarias da Costa, do seu partido, mas em vez do titular dos Negócios Estrangeiros surgiu no Parlamento a apresentar o documento o secretário de Estado do Conselho de Ministros, Ágio Pereira, o que levou a que o grupo parlamentar se ausentasse hoje dos trabalhos.

Ágio Pereira, que é também porta-voz do Governo, anunciou segunda feira em conferência de imprensa que o ministro estava demissionário, divulgando o teor de duas mensagens enviadas do seu telemóvel em que dava conta da intenção de resignar, mas no mesmo dia Zacarias da Costa divulgava um comunicado afirmando estar no pleno exercício das suas funções.

Zacarias da Costa, que estranhou notícias da sua alegada demissão atribuídas a fontes do gabinete do primeiro ministro e da Secretaria de Estado do Conselho de Ministros, disse hoje à Lusa que participará quarta feira na reunião do Conselho de Ministros, devendo falar no final com Xanana Gusmão.

A ausência da bancada do PSD dos trabalhos parlamentares, segundo fonte partidária, “destina-se a demonstrar que o partido está unido em torno do seu presidente, Zacarias da Costa”, cuja eventual saída do Governo pode conduzir à demissão dos restantes ministros do PSD: o vice-primeiro Ministro Mário Carrascalão, a ministra da Justiça, Lúcia Lobato, e o ministro da Economia, João Gonçalves.

Apesar de fragilizada, a Aliança da Maioria Parlamentar (AMP), manterá maioria no Parlamento caso o PSD venha a abandonar a coligação, mas apenas se os outros pequenos partidos mantiverem o apoio político ao Governo liderado por Xanana Gusmão, já que o partido com mais assentos parlamentares é a FRETILIN, de Mari Alkatiri, na oposição.

As atenções estão concentradas no primeiro ministro, que tem um ministro e um secretário de Estado publicamente incompatibilizados, e que se tem recusado a fazer uma remodelação governamental reclamada por diversos setores que lhe são afetos, havendo expetativa sobre se aproveita a ocasião para reformular o seu gabinete, consegue ainda apaziguar Zacarias da Costa, ou opta por provocar eleições antecipadas para clarificar a situação política.

António Ramos da Silva, assessor do primeiro ministro, disse à Lusa que Xanana Gusmão não se pronuncia publicamente sobre o assunto antes da reunião do Conselho de Ministros de quarta feira e desvalorizou a tensão política considerando-a “normal em democracia”.

“As diferenças de opiniões, mesmo entre membros de um Governo, são normais nos Estados democráticos”, disse.

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***

JA/Lusa

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