VAI ANDANDO QUE ESTOU CHEGANDO

Carlos Figueira

Tenho a perceção, verdadeira ou não, que vivemos tempos de incerteza e mudanças. A curto e médio prazo mas aproximando-se do fim de um ciclo político. Que resultados e políticas vão ser possíveis após as próximas eleições para a UE; que consequências para a Europa com a saída do Brexit; que saídas para o problema real da Venezuela e que correlação de forças vão sair daí para todo um continente no qual se pode esboçar a situação de não ser viável existirem governos autónomos da influência dos EUA; e na Europa que consequências vamos suportar com o que se anuncia da quebra do crescimento económico, já para este ano, dando corpo e espaço ao populismo da extrema-direita. São de facto tempos difíceis que nos desafiam à esquerda para os enfrentar e combater, não só em palavras, mas em medidas que nos aproximem das necessidades dos povos e países. Mas os tempos que vivemos são de facto de incertezas.

No fim do mês, a 31 de Janeiro, data histórica, para a implementação do República, acabou o prazo para as autarquias responderem às propostas de descentralização de responsabilidades numa imensa matéria que vai deste estradas a manutenção de edifícios, escolas e serviços de saúde, com o correspondente pacote financeiro. No que ao Algarve respeita, creio que só Olhão e Portimão assumiram neste quadro mais responsabilidades. A manter-se a situação presente, todas as outras terão que responder num prazo curto creio que até 2021. A ser assim, era altura do governo abrir um calendário de debate em duas perspetivas: resolver dúvidas e assumir compromissos financeiros, porque no fundamental é disso que se trata, e definir estratégia, ou seja, esta aproximação ao cidadão que o governo invoca vai, ou não, no sentido da criação das Regiões Administrativas.

A greve dos enfermeiros dos blocos operatórios tem ocupado a maioria dos noticiários e em simultâneo a preocupação dos portugueses que necessitam dos seus serviços por razões agudas de saúde. Greve envolta num manto de secretismos em relação a quem a subsidia, num quadro em que está em discussão a nova Lei de Bases do Serviço Nacional de Saúde cujas propostas à esquerda são no sentido do seu reforço. A admitir-se o desafio que a imprensa refere que este protesto se pode alongar até às próximas eleições em Maio para o PE, ou em Outubro para a AR, não resta ao governo outra solução que não seja a requisição civil em defesa da saúde dos portugueses.

A serem verdade as notícias sobre eventuais interesses do PCP em adjudicações de favorecimento em algumas autarquias, mesmo que longe dos negócios da CGD ou do BE que envolveram figuras e montantes inimagináveis para o cidadão comum, a ser verdade o PCP, a meu ver “perdeu a virgindade“ que ocupava no universo dos partidos que exerceram o poder após o 25 de Abril e, nesse sentido, não prestou um bom serviço a todos da extrema direita que na base de um populismo acéfalo desenvolve uma campanha contra o regime democrático. Porque em mais de quarenta anos de regime único e de partido único os grandes beneficiários não foram os portugueses. País que saíu da ditadura empobrecido e analfabeto. Mas na verdade não nos favorece, à esquerda, sermos misturados, com os que verdadeiramente fizeram fortunas através de negócios, beneficiando de favores e acesso a dinheiros públicos.

Carlos Figueira

carlosluisfigueira@sapo.pt

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