Vai Andando Que Estou Chegando

Carlos Figueira

Os últimos dias foram absorvidos por uma espécie de crise política despoletada numa noite na Assembleia da República, no fundamental pela direita, que acabou por arrastar a esquerda em torno da formulação de um papel de validade duvidosa e no qual o Presidente da Fenprof, presente no acto depositava grandes esperanças, cujo objectivo formal, seria assumir o compromisso de consagrar finalmente em Orçamento o pagamento dos quatro anos e seis meses do tempo em dívida aos professores. Na realidade o que a direita procurava, com um papel que sabia que do ponto legal serviria para pouco perante a ingenuidade do dirigente sindical e o papel distraído da esquerda, era tentar isolar o governo ou mesmo conduzi-lo à sua destituição em vésperas das eleições para as Europeias. Dando-se conta do facto, Costa avança com a sua demissão de Primeiro Ministro e a marcação de eleições o que conduz que a iniciativa política passe por inteiro para o seu lado.

De facto a direita passa a desfazer-se em desculpas com Rui Rio a afirmar que desconhecia o teor do papel, com o chefe do grupo parlamentar a afirmar que tudo tinha sido coordenado entre o grupo parlamentar e o Secretário Geral. Assunção Cristas desfaz-se em conferências de imprensa afirmando o contrário em cada uma delas. A direita sai de todo este teatro com profunda derrota. De toda esta operação ganha Costa em todos os sentidos, em credibilidade e votos e votos para europeias e legislativas.

A direita, mal preparada, entrou numa operação para a qual não tinha qualquer tipo de experiência arrastando consigo a Fenprof que sai disto bastante desprestigiada. Não se ganham batalhas sem tropas nem apoio popular e era visível que a luta dos professores estava em perda mesmo quanto a apoio da própria classe.

Passada a tormenta, Rui Rio reage à derrota com mau perder confundindo fogos com a situação dos professores o que não dá bota com perdigota. As consequências nas eleições vão fazer-se sentir, a abstenção vai aumentar, ainda por cima com o termo do campeonato de futebol que não ajudará. Como não ajuda a notícia do Público com uma série de deputados a avaliarem-se a si mesmo, alguns deles como o Paulo Rangel a dar-se a si uma nota entre 19 e 20 e o do CDS que sem qual ponta de vergonha se atribui a nota de 20. É tudo uma vergonha. Os portugueses não entendem porque tudo isto se soma a salários principescos livres de impostos.

A seguir às Europeias virão as Legislativas num curto espaço de tempo, contando o tempo de férias. Mas Outubro está à porta. Presumo que teremos um tempo crispado, cheio de mentiras, armadilhas e provocações, por parte da direita e dos seus comentaristas de pé ou sentados e são muitos. A esquerda não pode embarcar nesta armadilha, cabe-lhe outras funções e outra postura. Respondendo com serenidade sobre os problemas do país, do que se está fazendo e preparando para futuro.

Seria importante ir trabalhando para apurar os instrumentos do SNS, da Habitação, da Lei do Trabalho, da Justiça, para uma vez terminadas as eleições possa estar aberto caminho para uma nova basa de cooperação que dê corpo a um governo apoiado à esquerda.

A minha avó materna tinha por hábito quando pressentia o aproximar de maus ventos colocar um pequeno fogareiro de carvão a queimar alecrim, dizia ela que era bom para purificar o ar e afastar os maus espíritos.

Carlos Figueira

carlosluisfigueira@sapo.pt

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