VAI ANDANDO QUE ESTOU CHEGANDO

Como assinalava no início da minha última crónica e acontece da mesma forma e pelos mesmos motivos com esta, o que decorreu na reunião marcada para terça feira entre sindicatos, patronato e governo, determinará o desenrolar dos próximos tempos o que significa que nós infelizmente não estamos em condições de comentar. Fá-lo-emos na próxima edição.

Sendo certo que a semana que decorreu foi prenha de acontecimentos, desde logo com a suspensão da greve, embora condicionada à negociação das horas extras e ao trabalho de fim de semana. São questões que não podem ser negadas na sua importância porque tem que ver com a qualidade de vida dos trabalhadores, em relação às quais a Central Patronal sempre se recusou a atender, a estas e a outras, numa atitude marcada pela arrogância.

A constituição deste Sindicato fora do movimento sindical unitário, tendo como base reivindicativa uma expressão ultra radical, num sector de grande importância para a economia do país e a vida dos cidadãos, suscitou desde logo não só dúvidas sobre os seus propósitos como proporcionou em crescendo o seu isolamento pelas declarações que foram sendo assumidas: greve sem fim à vista, entre outras.

No plano político à esquerda mesmo, com os iniciais zigue zagues do PCP, corrigidos ao longo do tempo, evoluindo para uma posição crítica quanto ao processo e aos seus dúbios fins, com o Bloco a fazer de Patinho Feio a manter-se, sabe-se lá porquê, numa posição crítica contra o posicionamento do governo, e a direita num autêntico desastre como CDS desde início a reclamar, sem mais, uma alteração à Lei da Greve e o Rui Rio regressado de férias a não ter mais para dizer senão para criticar o governo.

Ora, como já anteriormente tinha sublinhado, creio que o governo com ponderação e firmeza teve uma atitude que as circunstâncias exigiam evitando o caos. Pergunto a todos que estão muito incomodados com a requisição civil para acudir à reposição de gasóleo e gasolina se tal medida não fosse tomada e na circunstância tivéssemos aeroportos, marinas, hospitais, abastimento público, país paralisado, o que diriam? Aliás numa greve que a cada dia e pelo efeito das medidas tomadas se verificava que estava em decrescendo. É também por tal circunstância que a mesma foi suspensa. Seria então de bom senso que ao radicalismo inicial desse lugar uma atitude de diálogo porque a ANTRAN também tem que assumir responsabilidades nas condições humilhantes, degradantes que tem vindo a impor aos seus trabalhadores.

A não ser por um eleitoralismo serôdio não se percebe a posição que o Bloco tem neste contexto de ataque ao Governo, creio que não será com tal estratégia que ganhará mais votos.

Por último uma palavra para o comportamento da comunicação social em geral. Pautada sobretudo para a valorização da desgraça. Nada de interessante que suscite debate, quanto à organização sindical, ao que suscita estes novos movimentos, ao facto de se poder organizar um novo sindicato a partir de um gabinete de um qualquer advogado, até onde vamos se por aí formos. Será que nada disto interessa?

Carlos Figueira

carlosluisfigueira@sapo.pt

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