VAI ANDANDO QUE ESTOU CHEGANDO

Terminadas as eleições legislativas e conhecidos os resultados, os comentários são diversos, por parte de cada força política. Da minha parte, sem filiação em qualquer partido, considero que não são surpreendentes. Confirmam um mandato que deu estabilidade ao País, repondo direitos que uma política de rapina imposta pela Troika e aceite pelo governo anterior aceitou e ampliou, pagando eleitoralmente por tais decisões, dando espaço a uma nova forma de governo assente em acordos à esquerda que, em muito, contribuíram para a inversão da situação anteriormente vivida.

Temos hoje um parlamento virado à esquerda e a manterem-se as palavras do Primeiro Ministro, com acordos, aplicar políticas à esquerda, não só para melhorar a vida dos portugueses, mas igualmente para lançar, projectar investimentos que produzam melhoramentos para a economia do país, atraiam mão de obra qualificada que, entretanto, optou por sair porque em tempos de crise se fecharam no seu país oportunidades de emprego e de vida.

Os resultados eleitorais traduziram essa continuidade de esperança aberta ao futuro aumentando a responsabilidade do centro esquerda e da esquerda, no seu conjunto, de realizar políticas correspondentes. É essa expectativa que não se pode perder. Certo que podemos não estar perante soluções idênticas às que geraram de forma formal a “gerigonça“, mas estamos perante um quadro político que pode englobar outras forças de esquerda nas soluções de governo traduzidas no apoio na Assembleia da República.

A direita sai destas eleições, independentemente dos números que se anunciavam mais severos, derrotada e tal facto é indisfarçável. Nesse sentido, e parafraseando Rui Rio, é um facto que este senhor não sai destas eleições como Primeiro-Ministro, como na altura afirmava, não se lhe afigurava como modo de vida estar sentado numa cadeira na Assembleia da República, durante um dia inteiro. O homem estava destinado para mandar! Pelos vistos porque os resultados eleitorais não foram tão maus, como os que a certo momento se anunciavam, as últimas declarações já admitem ficar na cadeira, vá lá saber-se porquê! Mas cuidado, porque ao que as notícias indicam há por lá gente que o quer ver pelas costas.

No CDS/PP Assunção Cristas tornou a decisão mais simples de mudança de poder. Mulher católica, convicta, tendo herdado o poder de Paulo Portas, mãe de família responsável pela educação de uma série de filhos, decidiu regressar ao lar e dar o lugar a outros.

No PCP que sofre uma derrota pesada com a perda de 7 deputados, um deles no Algarve, com o facto de ter perdido, em todas as freguesias, num concelho no qual a CDU dirige o município, e do qual é origem como candidato, dá que pensar.

Mas, mais que os resultados obtidos no Algarve e são maus, o que importa são os nacionais, e nesse sentido cabe aos militantes do PCP a responsabilidade de discutirem, aprofundarem as causas que têm levado num curto espaço de tempo ao PCP, à CDU a perderem Câmaras Municipais, deputados ao Parlamento Europeu e agora sete deputados à Assembleia da República.

Carlos Figueira

carlosluisfigueira@sapo.pt

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