OPINIÃO

Vai Andando Que Estou Chegando

OPINIÃO | CARLOS FIGUEIRA
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Acabou a Festa do Avante. Vai deixar de haver notícias diárias, semanais, que alimentaram jornais e televisões durante largos dias, diria semanas ou meses, a pretexto de tudo e de nada, sobre a Festa do Avante e o PCP.

Mantive, durante todo este tempo, fora de toda essa alimentada polémica muita dela servida em dozes massivas, infames de anti comunismo ora a pretexto das condições de salubridade e noutros pondo em causa a legalidade da realização da festa. Houve de tudo um pouco com toda a direita junta a criticar o acto com pretextos tão insólitos quanto hipócritas a que não faltou a ajuda do Presidente da República.

Acabada a Festa aqui fica a minha opinião sobre a mesma, opinião que desde a primeira hora partilhei com alguns dos meus amigos no recato das discussões que nos vão animando o facto de estarmos vivos.

De facto, desde a primeira hora, estive contra a realização da festa por considerar não estarem reunidas condições para a sua realização, num País a braços com uma grave situação provocada pela pandemia em que se vive, a qual provocou uma situação de medo generalizado na população, situação que o PCP, como se verificou, avaliou mal.

A persistência na realização da FA nesta situação conduziu, como era de prever, a uma cenário descaracterizado pelas exigências impostas pela DGS, no plano das presenças não só diminuída como politicamente voltada para o interior do próprio partido, a exigir um esforço hercúleo da militância, para além de dispendiosa no plano financeiro, conduzindo o Partido ao longo de meses a estar centrado politicamente neste evento, como se a vida política e os problemas do País, se resumissem a tal acontecimento.

Como é habitual, o Secretário Geral encerrou a Festa com um largo e cansativo discurso do qual, como nota de novidade, se pode extrair que o PCP em breve apresentará o seu candidato às eleições para a Presidência da República e, talvez, entre muitas entrelinhas, não se colocou de fora em participar na discussão do próximo OE. Se é só para este ou será para a toda a legislatura é assunto que ficou em branco. Já menos em branco e em declarações que foi fazendo à imprensa durante a sua presença na Festa, a propósito do próximo Congresso do PCP, ficou claro, na minha leitura, que continuará como Secretário Geral do PCP, por ausência de alternativas credíveis, digo eu, no seu interior, para assumir tal cargo.

As eleições Presidenciais e a discussão do próximo OE marcarão a agenda política nos próximos tempos. O Bloco já apresentou o seu candidato repetindo a candidatura de Marisa Martins, que já está no terreno, num processo de pesca à linha, de recolhe de apoios, fora do seu circulo de influência política. Ana Gomes, tudo indica, prepara-se também para anunciar a sua candidatura, num quadro que se adivinha à esquerda de alguma dificuldade, tendo presente que o PS não apresentará candidato próprio e nesse sentido o desafio que se coloca à esquerda, já que a vitória de Marcelo está assegurada, era encontrar a melhor solução para obter através de uma candidatura única, que recolhesse os votos da esquerda que não se revêem em Marcelo e não desejariam que o segundo mais votado fosse André Ventura. É esse o desafio, por mais difícil que seja, que urge enfrentar.

Carlos Figueira

carlosluisfigueira.@sapo.pt

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