OPINIÃO

Vai Andando Que Estou Chegando

OPINIÃO | CARLOS FIGUEIRA

O tempo está em mudanças já se sente a entrada do Outono, embora aqui pelo Sul ainda banhado por um sol menos quente mas já acompanhado de uma brisa mais fria a exigir mesmo à noite um reforço de alguma roupa para que o sono seja acompanhado de forma mais confortável. Outubro é mês das primeiras feiras de frutos secos, estou sem saber se por efeitos da pandemia se realizarão. Por antecipação, não vá o diabo tecê-las, já comprei umas quantas castanhas que estão ao preço do ouro, mas gostos são gostos, que cozinhei com erva-doce e uma ponta de flor de sal e arrisco a confessar-vos que estavam saborosas. Mas comprar no supermercado não é a mesma coisa que comprar na feira, disfrutando daquele ambiente barulhento e sobretudo da possibilidade de ter por onde escolher enfim, compreendo que se não tivermos essa possibilidade será em defesa de valores mais importantes e esses estarão seguramente associados à nossa saúde colectiva.

Também estamos em tempos de Orçamento de Estado para o próximo ano e confesso que a discussão que tão importante documento até agora tem envolvido, pelas notícias que vamos obtendo pelos diversos órgãos da comunicação social, me têm deixado um tanto confuso.

Porque de um lado o representante do Governo envolvido na discussão com representantes da oposição, afirma que existem avanços na negociação em matérias importantes como as da defesa da contratação colectiva, aumento do salario mínimo, e outras regalias sociais, ao que somará o reforço do SNS de entre outras matérias de protecção dos menos favorecidos na sociedade.

Em reforço de tais ideias temos de partida as declarações do Primeiro Ministro que desde inicio declarou que a haver acordo esse seria sempre produto de negociação à esquerda e nesse sentido estava fora de qualquer solução um acordo com o PSD.
Por parte do PSD, no mesmo sentido, existem declarações anunciando que estava fora de causa qualquer entendimento com o PS em torno do OE.

Na mesma altura e de algum modo reflectindo o complexo contexto em que estamos, assistimos a declarações dos partidos à esquerda que de alguma modo contradizem declarações em matéria de avanços em negociações com o governo em torno do OE, por sua vez, com o Presidente da República, sem poderes para tal, a sugerir entendimentos do PS com o PSD, para evitar uma crise política de facto para todos indesejável. E se tudo for assim, em que ponto realmente estamos, para meu entendimento e da maioria dos portugueses, sobre matéria de crucial importância?

A reiterada da abertura de uma crise política por parte do PM não ajudam a criar o clima necessário a uma negociação que de partida se afigurava difícil. Os partidos da oposição não estão ali para assinar de cruz, embora a sensação com que fico é a de que o Governo está de facto a fazer um grande esforço para responder a algumas das matérias que a oposição à esquerda desde inicio colocou previamente para negociar e que o OE acabará por ser aprovado pelo menos com a abstenção do Bloco e quiçá também do PCP.

Esta semana serão apresentadas as grandes linhas que darão corpo aos investimentos apoiados pela EU que respondem à crise provocada pela pandemia em todas as economias europeias. Pelo que se pode vislumbrar do conjunto das obras públicas (está inscrita finalmente a ponte entre Alcoutim/S. Lucar) anunciadas e do apoio direccionado à iniciativa privada, o País não será o mesmo nos próximos dez anos.

Carlos Figueira

carlosluisfigueira.@sapo.pt

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