Vascão contaminado: Algar admite culpa e garante que pagará reparação dos danos

O Aterro Sanitário do Sotavento localiza-se na freguesia de Salir, concelho de Loulé

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Águas lixiviadas, sem tratamento, provenientes do Aterro Sanitário do Sotavento poluíram a ribeira do Vascão. Comissão de acompanhamento do aterro reuniu de urgência para tomar medidas

DOMINGOS VIEGAS

A Comissão de Acompanhamento do Aterro Sanitário do Sotavento esteve reunida esta terça-feira, na Câmara Municipal de Loulé, para confrontar a Algar, empresa que gere aquele aterro, com a poluição que atingiu nos últimos dias a ribeira do Vascão e tomar medidas.

A reunião, que tinha sido agendada com carácter de urgência, foi promovida pelo presidente da Câmara Municipal de Loulé, Vítor Aleixo, que também preside a referida comissão. Refira-se que aquela comissão de acompanhamento inclui 20 entidades, entre as quais as Câmaras do sotavento e a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Algarve.

Os responsáveis da Algar admitiram, tal como já o tinham feito a vários órgão de comunicação social, a responsabilidade na poluição provocada por águas lixiviadas, sem tratamento, que escorreram para a ribeira do Vascão. E admitiram que a empresa está disposta a investir na reparação dos danos.

“É uma situação muito grave. A Algar também reconheceu a gravidade. Perguntei se estavam dispostos a custear os danos causados nas linhas de água e disseram que sim”, explicou Vítor Aleixo, em declarações ao Jornal do Algarve, acrescentando que a GNR tomou conta da ocorrência e a Administração da Região Hidrográfica (ARH) do Algarve recolheu amostras para analisar.

A contaminação que atingiu a ribeira do Vascão teve origem numa estação de tratamento, que tem uma das células avariadas e outra a funcionar mal.

Vítor Aleixo, que apresentou um conjunto de propostas na referida reunião, explicou ainda que a Algar “tem que reparar todas as situações que carecem de ser reparadas” e considerou que “estas situações não podem voltar a acontecer”.

O autarca louletano viu ainda ser aprovada, por unanimidade, a sua proposta para que a fiscalização do aterro sanitário passe a ser efetuada por uma entidade independente.

“É preciso que os relatórios sejam efetuados por uma terceira parte e não pelos técnicos da Algar. Assim, ficamos mais seguros, mais confiantes e mais tranquilos”, considerou Vítor Aleixo.

O Aterro Sanitário do Sotavento localiza-se na freguesia de Salir (Loulé) e serve oito concelhos: Alcoutim, Castro Marim, Faro, Loulé, Olhão, São Brás de Alportel, Tavira e Vila Real de Santo António.

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Comentário

  • Falta so o pormenor da importancia extrema desta Ribeira
    Transcrevo noticia de 2012 da
    Sul informação
    Ribeira do Vascão classificada como um dos dois novos Sítios Ramsar em Portugal
    POR ELISABETE RODRIGUES • 6 DE DEZEMBRO DE 2012 – 14:30

    A Ribeira do Vascão acaba de ser designada como um dos dois novos Sítios Ramsar em Portugal, elevando para 30 o número destas Zonas Húmidas de Importância Internacional no território nacional.

    Além desta ribeira, que nasce na Serra do Caldeirão e desagua no Guadiana e tem grande parte do seu curso no interior serrano do Algarve (concelhos de Loulé, Tavira e Alcoutim), estabelecendo a fronteira com o Baixo Alentejo, foi ainda designada como Sítio Ramsar a Pateira de Fermentelos e os vales do Águeda e do Cértima, no Norte do país.

    O sítio da Ribeira do Vascão, que abarca um total de 44,331 hectares (37º27’N 007º48’W) constitui o maior rio sem interrupções artificiais, tais como barragens, em Portugal.

    Situada na região mediterrânica, aquela ribeira suporta altas concentrações de espécies ameaçadas de peixes de água doce, tais como o Saramugo (Anaecypris hispanica), Enguia-europeia (Anguilla anguilla) e Lampreia (Petromyzon marinus).

    Segundo salienta Laura Máiz-Tomé, conselheira assistente da Convenção de Ramsar para a Europa, «a zona húmida regula as cheias da Ribeira do Vascão», enquanto a «vegetação ripícola contribui para a infiltração de água no subsolo e para a estabilização de diferentes processos hidrológicos».

    Na base da classificação desta ribeira esteve ainda o facto de terem sido descobertos na região «numerosos vestígios arqueológicos dos períodos romano e islâmico».

    Destaque também para o facto de o Vascão ser «popular para atividades outdoor, desportos de natureza e educação ambiental».

    A mesma classificação chama a atenção que a falta de estações de tratamento de esgotos nas aldeias adjacentes «ameaça o carácter ecológico do sítio», mas ressalva que «planos de gestão foram implementados» ao mesmo tempo que foram adotadas «estratégias de erradicação de espécies exóticas invasivas».”

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