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Espanha cria registo nacional de doentes e infetados com VIH

Espanha vai ter um registo nacional dos casos de pessoas infetadas com VIH e com sida, passando a integrar as estatísticas do Centro Europeu para a Prevenção e Controlo das Doenças, informa hoje o El País online.

Até agora, quando se consultavam os relatórios de vigilância à epidemia do Centro Europeu para a Prevenção e Controlo das Doenças, Espanha surgia com a indicação de não ter dados nacionais, já que os sistemas de vigilância apenas cobriam determinadas regiões ou províncias.

No início do ano passado, oito províncias enviaram as suas contagens sobre o VIH para que integrassem o total nacional, tendo-se somado posteriormente mais quatro e, já este ano, outras três, uma das quais Madrid, região que concentra um em cada quatro dos casos registados no país (com uma taxa de incidência de 24 por cento).

Por decisão do conselheiro de saúde espanhol, a 06 de agosto tornou-se obrigatório todos os centros e serviços de saúde, bem como os laboratórios e os profissionais do setor (no público e no privado), declararem os casos de infeção.

É muito importante existir um registo estatal “para orientar e avaliar as intervenções e para saber como distribuir os recursos económicos”, afirmou o secretário do plano espanhol de luta contra a sida, Tomás Hernández.

A base de dados vai permitir conhecer que grupo populacional regista mais infeções, bem como conhecer o alcance do atraso no diagnóstico da doença, sendo que o serviço de epidemiologia madrileno considera que há atraso quando decorre um ano ou menos entre a deteção do VIH e o desenvolvimento de uma enfermidade indicativa de sida.

No caso de Madrid, os últimos dados, publicados em abril de 2010, mostram que quase metade dos casos (47,4 por cento) se diagnosticaram tarde.

Se as quatro províncias que ainda não criaram os seus registos – Andaluzia, Comunidade Valenciana, Múrcia e Castilla-La Mancha – entregarem os seus dados no próximo ano, o registo nacional será uma realidade em 2012.

Calcula-se que entre 120 e 150 mil pessoas estejam infetadas com o VIH no país vizinho, havendo informação de 77 953 casos da doença desde 1981, quando se diagnosticou o primeiro, e 2009.

A proposta de uma base de dados nacional já tem uma década, mas várias associações espanholas manifestaram-se preocupadas com a proteção dos dados pessoais, o que retardou o processo.

Agora a identificação será com o nome próprio e o apelido, mas o antigo presidente da Coordenadora Estatal de VIH-Sida (Cesida) Santiago Pérez Avilés receia que algumas pessoas não façam o teste devido a receios relativos à sua privacidade, pelo que sugere uma fórmula encriptada, como as iniciais do nome ou a atribuição de números.

AL/JA

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