Exposição em Loulé: “O homem que só queria ser Tóssan”

Na Galeria de Arte do Convento Espírito Santo, em Loulé, vai estar patente ao público, de 30 de maio a 31 de agosto, a exposição “O homem que só queria ser Tóssan”, que aborda a vida e obra deste importante homem das artes de origem algarvia.

Tóssan teria gostado da coincidência: o 30 de maio, dia do seu
aniversário, fecha o centenário do seu nascimento e abre, em pleno feriado
municipal, uma exposição da sua vida e obra, na cidade onde deixou indelével
memória e talento na decoração de antigos cortejos carnavalescos.

A exposição, para além de percorrer o seu ilustre trajeto nas
artes visuais portuguesas, evidencia a sua profunda admiração e relação
fraternal com o poeta António Aleixo.

Tossán (António Fernando dos Santos) nasceu em Vila Real de Santo
António, no ano de 1918, e faleceu em Lisboa em 1991. Foi um homem multifacetado
que dedicou a sua vida à arte, como pintor, ilustrador, cenógrafo, vitralista,
caricaturista, humorista, decorador, designer e gráfico. Mas o que o destacou
foi o seu enorme talento e a sua maneira de ser divertida, acutilante e de
contador de histórias. 

Como ilustrador, iniciou o seu percurso ilustrando a capa do livro
“O Teatro dos Estudantes de Coimbra no Brasil”. Nesta arte realizou mais de
meia centena de capas de livros, de onde se destacam as obras de Curvo Semedo
“O Velho, O Rapaz e o Burro” (1978) e de Leonel Neves “O Elefante e a Pulga”
(1976). Esteve ligado vários anos à Editora Terra Livre como responsável
gráfico, foi orientador gráfico da Revista Brazil a convite do governo
brasileiro, editou dois livros de desenhos, “Cão Pêndio” e “Fidelidade 1835”, e
retratou várias personalidades entre as quais António Aleixo, Camilo Castelo
Branco, Manuel Teixeira Gomes, Teixeira de Pascoaes, José Régio e Lins do Rego.

Pertenceu, desde 1947, ao Teatro dos Estudantes da Universidade de
Coimbra (TEUC), onde foi cenógrafo e caracterizador. A sua primeira obra
como ilustrador foi a capa do livro “O Teatro dos Estudantes de Coimbra no
Brasil”. Durante o período em que residiu em Coimbra foi o caricaturista de
centenas de estudantes.

Entre 1961 e 1964, orientou os trabalhos gráficos da Embaixada do
Brasil em Lisboa, cuja Biblioteca Sala Brasil decorou.

Na imprensa, foi um dos criadores do suplemento juvenil do Diário
de Lisboa e colaborador do jornal humorístico O Bisnau.

O ator Mário Viegas, amigo de Tóssan, reuniu num documento, em
1992, poemas e textos de prosa inéditos para um espetáculo intitulado “Tótó”,
que representou a solo, nesse ano.

A exposição pode ser visitada de terça a sexta-feira, das 9h30 às
17h30, e aos sábados, das 9h30 às 16h00. A inauguração acontece no dia 30 de
maio, às 18h00, no âmbito do Dia do Município.

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