ENTREVISTA

Vila do Bispo espera dois museus e aplaude pôr-do-sol

Enquanto aguarda o 11.º Festival de Observação de Aves & Atividades de Natureza de Sagres, que decorre de 2 a 5 de outubro, Vila do Bispo vai retomando a atividade cultural interrompida pela pandemia e programa já o rali e um ano de 2021 que deverá finalmente fugir à atipicidade de 2020. Vereadora do Turismo e Cultura da câmara de Vila do Bispo, Rute Silva, 44 anos, discorre sobre o que foi o ano turístico de 2021 e avalia as expectativas para 2021. Do ponto de vista cultural, enfatiza que o concelho terá em breve dois novos museus. Enquanto esperam, turistas e locais batem palmas ao pôr-do-sol do cabo de São Vicente, o mais belo da Europa!

JAmagazine – Qual o balanço desta época turística atípica que atravessámos, fase às expectativas que havia?
Rute Silva (RS)
– Apesar de tudo foi razoável face às expectativas. O nosso mercado baseia-se nos espanhóis. E quando abriram as fronteiras eles retomaram as vindas, até pelas questões do surf e dos desportos náuticos. E obviamente este ano tivemos muito público português. As ocupações atingiram níveis razoáveis e conseguimos recuperar. Obviamente, não foi um ano igual aos anos anteriores.


JAm – E a falta dos britânicos?
RS
– Não dependemos muito do mercado britânico. Também há, mas não é um turismo que procure muito esta zona.


JAm – Já há dados quantitativos de taxas de ocupação?
RS
– As taxas de ocupação durante o mês de agosto foram boas. No mês de setembro houve já uma grande quebra.


JAm – O surf chegou a ser uma atividade proibida no início da pandemia. Depois recuperou?
RS
– Segundo a escola de surf, os níveis foram semelhantes aos outros anos, embora tenhamos que ter em conta as circunstâncias. Sabemos que ia reduzir um bocado, mas têm trabalhado bem.


JAm – Quanto ao turismo de natureza, foi mais procurado que outros anos, por causa dos portugueses?
RS
– Sim. Para além de termos uma costa lindíssima, temos a rota vincentina e a via algarviana, que começam aqui. A rota vincentina é um percurso recente, inaugurado o ano passado e é um percurso bastante procurado. Mas não há dados, porque é difícil haver uma quantificação neste tipo de rotas.


JAm – Mas os donos de bares, restaurantes, alojamentos, rasgam o sorriso quando falam de níveis de afluência de turismo?
RS
– Sim. O problema é agora esta quebra. Em março começamos a ter os caminhantes, e este ano com esta história toda só começámos a retomar as coisas em junho e julho. Estamos a falar de alguns meses que foram muito maus. Conseguimos recuperar, mas não na totalidade.


JAm – Uma questão transversal no verão do seu concelho tem a ver as caravanas. Houve mais respeito devido à atitude mais musculadas das autoridades?
RS
– Continuamos a ter um grande problema com a questão das caravanas. É uma questão que é sempre complicada, até porque eles saem de um sítio e vão para outro.


JAm – Tem perspetivas para ter parques para autocaravanas?
RS
– Neste momento não temos nenhuma área de serviço para autocaravanas. Vamos ter agora uma de um privado. Temos os parques de campismo que também recebem caravanas. Mas este ano andámos mais em cima por causa das questões de higiene que é preciso cumprir. Uma coisa são as caravanas autónomas, que não nos dão muitos problemas, outra coisa são aquele tipo de carrinhas que não são bem uma caravana, sem casa de banho nem cozinha, e esse é que é o nosso grande problema.


JAm – Houve uma reunião entre quatro autarquias da costa vicentina, há algumas semanas, sobre a gestão dessa área. Tem ideia do que foi decidido?
RS
– Foi decidido um plano de contenção precisamente por causa das caravanas e foi decidido encerrar alguns caminhos (porque eles vão abrindo caminhos) pela costa e não havia articulação com o parque natural e fechámos alguns, para que não houvesse esse acesso à costa. E foi elaborado um plano de tentativa de contenção.


JAm – Quanto ao Polis do sudoeste alentejano e costa vicentina, há atrasos?
RS
– Eu sei que a coisa não está a avançar da melhor forma. A Câmara está a conversar com eles por causa das verbas, da ecovia e da ciclovia por construir. E há alguns problemas.


JAm – A vila de Sagres continua a ser, em termos turísticos, o ponto nevrálgico das visitas e da atração do concelho?
RS
– Sem dúvida, até pela questão histórica. Pela sua localização geográfica. Embora também tenhamos Salema e Burgau, que está cada vez mais em ascensão. São polos piscatórios que cada vez têm mais turistas. São vilas, são pequenas, as praias são boas e as pessoas acabam por procurar cada vez mais o descanso.


JAm – No que respeita à cultura, este ano não correu lá muito bem. Houve muitas suspensões e adiamentos de atividades. Como foi em Vila do Bispo?
RS
– Na cultura, infelizmente, foi um ano de adiamentos e cancelamentos. O que nós retomámos foi o projeto 365, coisas mais pequenas e que eram feitas na rua. Foi isso que nós retomámos. Mas o concurso de fado, o festival do percebe, as Maias e outras, foram canceladas. Estamos agora a pensar fazer o rali de Vila do Bispo a 18 de outubro. Este ano será só com uma prova exterior, fora da localidade de Vila do Bispo. E temos agora a rota do petisco a decorrer.

A Fortaleza de Sagres espera há vários anos por um novo museu


JAm – E relação ao promontório de Sagres, há projetos?
RS
– Existe um projeto da Direção Regional de Cultura, que é quem faz a gestão da Fortaleza de Sagres, para um museu, o Museu dos Descobrimentos. É um projeto que já tem alguns anos e aguarda visto do Tribunal de Contas. Com a pandemia, não sei qual o ponto de situação. Mas é para avançar.


JAm – Mas há um projeto do Museu do Território para a vila sede de concelho, não é? Em que pé está?
RS
– Já iniciou, mas o empreiteiro abandonou a obra. E agora vamos lançar novo concurso. Ele já está iniciado. O projeto decorre nos antigos celeiros da EPAC. A previsão de inauguração era este verão, mas deverá ser mais um ano de espera.

JAm – No que respeita ao cabo de São Vicente, há alguma novidade?
RS
– Há o famoso pôr-do-sol! Vêm milhares de pessoas assistir. É especial, sobre o mar. Há quem diga que é o melhor pôr-do-sol da Europa. Vêm milhares de pessoas que vêm e que batem palmas.


JAm – Há alguma atividade paralela, ou simultânea, com esse evento da Natureza?
RS
– Este ano, fizemos online em articulação com a RTA, pela primeira vez, uma programação de fim-de-semana que era o Sagres Sunset Shot. Divulgámos nos nossos canais de Facebook e Youtube e tivemos imensas visualizações. Foi uma forma de ajudar alguns artistas nacionais que cá vieram, como a Cuca Roseta, o João Pedro Pais, que também nos ajudaram a divulgar o nosso pôr-do-sol, embora ele seja muito divulgado nas redes sociais.

João Prudêncio

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