47 Nobel recusam cortes na investigação científica

.

Em carta aberta aos líderes europeus, conceituados cientistas recusam cortes na verbas para a investigação sob pena de comprometer o futuro da Europa.

“Que papel terá a ciência no futuro da Europa?” Esta a pergunta que 42 Prémios Nobel e cinco distinguidos com a Medalha Fields (o “Nobel da Matemática”) deixam aos chefes de Estado e de Governo e os líderes das instituições europeias, numa carta aberta divulgada na véspera da reunião em que se debaterá o orçamento da União Europeia para 2013-2018.

Os cientistas pretendem, desta forma, pressionar os líderes europeus a manterem o investimento na investigação científica, porque em seu entender “a transformação do conhecimento em novos produtos, serviços e indústrias inovadores é a única forma de dotar a Europa de uma vantagem competitiva no panorama mundial em mutação e assegurar a longo prazo a prosperidade da Europa”.

Os subscritores desta carta aberta defendem ainda que “em caso de severa redução do orçamento comunitário para a investigação e inovação corremos o risco de perder uma geração de talentosos cientistas, logo quando a Europa mais necessita deles”.

Por isso, dizem ser “fundamental que se continue a apoiar, e ainda mais importante, a inspirar a extraordinária riqueza do potencial de inovação e investigação que existe em toda a Europa”.

Entre os 47 signatários da carta aberta hoje publicada em 33 jornais europeus encontram-se o biólogo alemão Christiane Nuesslein-Volhard, o francês Serge Haroche (um dos distinguidos este ano com o Nobel da Física) e o geneticista Paul Nurse.

Os Estados-membros estão, para já, longe de um consenso no que diz respeito ao orçamento comunitário. O Reino Unido lidera um grupo de países que pretendem impor um corte de um trilião de euros (cerca de 1,1% do PIB da União Europeia), tendo já ameaçado vetar qualquer decisão contrária. A Alemanha, que conta com o apoio de outros seis Estados-membros, quer que os cortes não ultrapassem 1% do PIB. A proposta da Comissão Europeia, que pretendem ampliar o orçamento, é apoiada por outros 15 Estados-membros.

Carlos Abreu (Rede Expresso)

Adiconar comentário

Carregue aqui para comentar

Comentar

>
Tamanho da Fonte
Contraste