“A nossa capacidade de resposta está muito longe de se esgotar”

Duas semanas depois de ter sucedido a José Apolinário, o novo coordenador garante que, “apesar do aumento do número de casos na região, que segue a linha nacional”, os serviços de saúde primária, hospitalar e proteção civil “estão a funcionar e articulam entre si de forma a dar resposta a este crescimento” de infeções.


“Isso permite transmitir uma mensagem de confiança às pessoas que vivem no Algarve”, refere Jorge Botelho ao JA, acrescentando que as unidades de saúde, os serviços municipais e proteção civil “têm conseguido responder”, juntamente com a área da segurança social.


Na região, existem agora mais de 600 casos ativos e mais de um milhar de recuperados, com cerca de 15 pessoas internadas no hospital de Faro, algumas nos cuidados intensivos.


As Zonas de Apoio à População de Castro Marim, Lagoa, Loulé, Portimão, Vila do Bispo e Tavira estão acionadas durante esta semana, para quarentena e isolamento profilático.

Algarve está preparado para uma 2.ª vaga


Jorge Botelho – que continua como secretário de Estado da Descentralização e da Administração Local no executivo de António Costa – considera que, até agora, a região está preparada para uma eventual segunda vaga, enfatizando que o número de pessoas internadas no hospital de Faro “não chega, minimamente, à sua capacidade máxima”.


“Os doentes com covid-19, neste momento, só vão para o hospital de Faro, que ainda tem uma capacidade de resposta grande em reserva. O que nós queremos é que as pessoas tomem um comportamento diferente para se defenderem e protegerem os outros, para que não haja situações de dificuldade nos serviços de saúde”, refere.

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Para Jorge Botelho, “é importante associar a capacidade de resposta das entidades com uma atitude defensiva ou preventiva das pessoas”.


O secretário de Estado garantiu ao JA que “os serviços estão melhor preparados agora do que estavam em março ou abril” e que “já há alguma experiência acumulada deste tempo que passou”.


No entanto, “dizer que a situação está controlada, num contexto de pandemia, é sempre um risco, porque a realidade de hoje pode não ser a realidade de amanhã”.

Número de casos a aumentar diariamente


Segundo o coordenador regional, o aumento de casos que se sucedeu nas últimas semanas no Algarve “está associado a alguma flexibilidade” que foi dada às rotinas da população e “é um resultado do fim do verão”, quando houve “um conjunto de ajuntamentos de pessoas, que fizeram reuniões familiares e de amigos”.


Durante os últimos meses, a região teve “um número muito baixo de casos para o número de turistas que estiveram no Algarve, o que significa que é possível controlar”, opinou.


“Espero que as pessoas se defendam agora, como se defenderam muito bem durante o verão”, refere o também secretário de Estado Descentralização e Administração Local ao JA.


Agora, o Algarve apresenta “focos pulverizados pela região”, com mais de 20 surtos ativos, três deles em lares de idosos em Tavira, Olhão e Quarteira.


Em Olhão e Quarteira, existe apenas um idoso infetado em cada uma das instituições, que foram internados no hospital de Faro, enquanto em Tavira há cinco funcionários e 15 residentes infetados, dois deles internados.


Em relação às escolas, Jorge Botelho congratula-se com o regresso às aulas, “que tem corrido muito bem”, uma vez que os casos positivos que apareceram “não levaram ao encerramento de nenhuma escola, apenas de salas, o que faz toda a diferença”.


Em toda a região, existem mais de uma dezena de alunos e alguns funcionários infetados em instituições de ensino desde a creche à escola secundária em concelhos como Portimão, Vila Real de Santo António, Tavira, Loulé, Castro Marim, Olhão e Faro.


No entanto, Botelho apela aos estudantes algarvios para “adotarem um comportamento responsável quando estão nas aulas e no recreio, porque têm de se defender, além dos seus pais e dos avós”.

Situação controlada nos hospitais


Já relativamente aos cerca de 15 profissionais de Saúde dos hospitais de Faro e Portimão e numa instituição privada que se encontram infetados, Jorge Botelho garantiu ao JA que “todos os serviços continuam a ser salvaguardados e sem grande problema”. Há ainda mais de 30 profissionais em isolamento profilático. Um dos trabalhadores do hospital de Faro que está infetado também exerce a sua profissão na unidade hospitalar de Beja, estando a situação já contida, de acordo com o membro do Governo.


Contudo, manifestou-se preocupado, neste momento, “com um surto que existe na comunidade cigana, que implica os concelhos de Albufeira, Portimão e Vila Real de Santo António”. Esta situação está a ser acompanhada e estão a ser feitos muitos testes, contando-se já um total de cerca de 60 infetados nos três acampamentos, revelou.


Outra das preocupações é o crescimento de casos em certos concelhos, como Vila Real de Santo António, que tem neste momento “a situação mais ou menos identificada” e mais de uma centena de casos ativos.


“Em Vila Real de Santo António, Portimão, Albufeira e noutros concelhos, tem havido uma articulação muito próxima dos municípios e a autoridade de Saúde”, o que é “um bom passo” para que os autarcas “tenham acesso à informação e possam depois prevenir e divulgar à população” e que um delegado de Saúde “possa fazer o seu trabalho”.


Sem adiantar pormenores em relação a forças de segurança algarvias infetadas com covid-19, Jorge Botelho afirma que essa existência “é normal”, mas garante que “os que estão ao serviço não têm sintomas e estão bem de Saúde”.

Combate ao alarmismo


Com o aumento de casos de forma generalizada em toda a região, aumentou também o receio, o medo e a ansiedade e, com isso, os boatos, rumores e o alarmismo, que têm sido combatidos pelas autarquias através da divulgação dos números de casos ativos de covid-19 nas redes sociais e na comunicação social.


“As pessoas têm de confiar”, revela Jorge Botelho ao JA. “Eu percebo a necessidade das pessoas de saber, mas é importante também que as pessoas se mantenham tranquilas e confiem no sistema”, afirmou.

“Os nossos vizinhos não estão todos infetados, nem mesmo na mesma família estão todos infetados. Temos de confiar nas autoridades, nos serviços de proteção civil para que os alarmismos possam ser combatidos. Eu percebo as dinâmicas das redes sociais, o direito de informar e ser informado”.


Jorge Botelho garante que “são dados com clareza, para que não haja uma situação de desconhecimento sobre o que se está a passar, o que é muito bom para combater o alarmismo” e que as autarquias têm acesso aos números e eles são divulgados nas redes sociais, como acontece nos concelhos de São Brás de Alportel ou Castro Marim, com frequência.

Atitudes importantes de prevenção


No entanto, destaca Jorge Botelho, o combate à pandemia está nas mãos de todos nós, “tem que haver atitudes responsáveis e cada um tem que fazer a sua parte”, além da lavagem das mãos, da etiqueta respiratória, do uso de máscara em sítios fechados ou frequentados por muitas pessoas e do tratamento às pessoas que estão em quarentena.


O coordenador regional aconselha a população para, “quando uma pessoa ficar doente, não ir trabalhar nem ir à escola sem consultar um médico primeiro”, para saber se há risco de infeção. “Mais vale ter estas atitudes de prevenção do que de remedeio”, acrescenta.


“Todos queremos livrar-nos da pandemia, mas enquanto ela não for embora o objetivo é não ficarmos doentes e que a nossa vida possa prosseguir, adaptada aos tempos que estamos a passar. A realidade é aquela que é e não há forma de a fazermos diferente. Isto vai passar, só não sabemos é quando. Por isso temos de estar vigilantes e ativos”, conclui.

Gonçalo Dourado
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