Cutileiro “pôs as pedras a falar”, diz Diretora da Cultura do Algarve

A diretora regional de Cultura do Algarve, Adriana Freire Nogueira, destacou hoje o escultor João Cutileiro como um artista que “conseguiu pôr as pedras a falar”, e que era dono de “uma forma muito peculiar de representar a realidade”.

“Tive a oportunidade de ser apresentada a João Cutileiro, há cerca de dois anos, em Évora, aquando da doação da sua casa naquela cidade, numa cerimónia muito emotiva, e pude conversar um bocadinho com ele, manifestando o meu apreço pelo seu trabalho”, disse Adriana Freire Nogueira ao JA.
Num testemunho escrito enviado ao JÁ, sublinhou que João Cutileiro tinha “uma forma muito peculiar de representar a realidade” e recordou que as obras do mestre “nem sempre foram bem recebidas ou compreendidas, mas, com o tempo, conseguimos ver o mundo com os seus olhos, ver o não explícito. Essa é uma das grandes virtudes da sua obra: o desafio a quem vê para ir mais além, deixar que a sua imaginação, as suas referências interfiram na leitura que faz de cada obra de arte”.
“A estátua do D. Sebastião, em Lagos, é um bom exemplo de como representar personagens da nossa história bem longe da iconografia tradicional, não deixando de lhes dar um cunho que as faz reconhecíveis. Um outro, ainda mais extremo, é a escultura do Marquês, em Vila Real de Santo António, representado com formas geométricas e com referências arquitetónicas tais (como as pernas, em colunas), que todos reconhecemos nela a causa do seu apelido se ter tornado adjetivo referente ao estilo da sua época: pombalino. Cutileiro, como os grandes escultores, conseguiu pôr as pedras a falar”, concluiu.

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