ALGARVE

Empreiteiro que destruiu IURD afirma que entregou 104 mil €

Construtor civil afirma que ofereceu à Igreja Universal de Reino de Deus mais de 104 mil euros porque lhe garantiram que Deus, em troca, lhe devolveria o triplo.

“Não tenho palavras para descrever o que fiz, mas posso dizer que não foi vingança, apenas senti que era a única saída para a miséria que tem sido a minha vida, por causa desta igreja.”

Eleutério Cortes descreve assim o momento em que, aos comandos de uma empilhadora, entrou nas instalações de Faro da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), só parando quando a GNR lhe apontou uma arma à cabeça. O altar do pastor ficou intacto, mas ao longo da grande sala dezenas de cadeiras foram destruídas à passagem da máquina.

O empreiteiro da construção civil, de 42 anos, afirma que numa altura de desespero financeiro foi convencido a frequentar a IURD por uma “conhecida”. Num instante terá ficado rendido às promessas de Deus que lhe chegavam através do pastor e outros daquele Centro de Ajuda Espiritual. “Eles garantem que Deus retribui a triplicar todo o dinheiro que nós oferecermos à Igreja e comprovam isso com vídeos enganadores”, desabafou ao DN. E lembra a última oferta que fez e, por pouco, não concretizou: “Eu ia vender a casa onde moro com as minhas filhas e a minha mulher, ela é que não me deixou, mas ainda me desfiz de um camião no valor de 30 mil euros, uma Ford Transit de 14 mil euros, um cavalo de 30 mil euros, peças em ouro avaliadas em cinco mil euros, material de construção e algum dinheiro.”

Feitas as contas, Eleutério diz ter “perdido” um total de 104 mil euros. Depois disso terá ficado sem nada. “Sem dinheiro até para comer, vivi quatro anos de caridade, sem conseguir fazer nada”, recordou, explicando que mantém uma empresa, que trabalha com betão armado, para tentar pagar aos credores.

Na terça-feira, quando saiu do trabalho, farto das suas próprias lamentações, o empreiteiro terá jurado a si mesmo que “aquela igreja não ia enganar mais ninguém”. Em tom baixo e visivelmente amargurado, recordou o que lhe passou pela cabeça naquele fim de tarde: “Já chega de enganar tantas pessoas, é hoje que vou rebentar aquela porcaria.” Duas horas antes da oração das 20.00, resolveu pedir uma empilhadora emprestada e entrou porta adentro. “Não fui mais longe porque um militar da GNR me apontou uma pistola à cabeça.”

Depois disso foi levado para as instalações da PSP de Faro e de lá só saiu à 01.00, já na qualidade de arguido, para ir às urgências do Hospital de Faro. Ontem foi presente ao tribunal, tendo ficado a aguardar julgamento em liberdade. A IURD garante que vai exigir responsabilidades “civis e criminais” ao homem por “acto de vandalismo” e garante não conhecer o alegado fiel revoltado.

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