Ervas marinhas europeias mostram sinais de recuperação

Os investigadores do Centro de Ciências do Mar (CCMAR) realizaram um estudo que foi publicado na prestigiada revista Nature Communications, no dia 26 de julho, no qual elaboraram uma análise sobre o estado das ervas marinhas na Europa desde 1869, a publicação incluiu investigadores de 21 instituições europeias. No projeto de investigação verificaram que a perda tem vindo a diminuir e nalguns locais houve uma recuperação.

O estudo incidiu sobre toda a informação existente na Europa relativamente à área em questão e densidade de ervas marinhas desde 1869, perfazendo um total de 737 locais ao longo das costas de 25 países europeus. Averiguaram que a Europa perdeu um terço das suas pradarias marinhas nos últimos 150 anos, devido a doenças, à deterioração da qualidade da água, ao desenvolvimento costeiro, a distúrbios mecânicos, como é o caso de ancoragem de barcos e arrasto de fundo. As maiores perdas registaram-se entre 1970 e 1980, contudo o estudo demonstra que esta tendência está a reverter-se e que algumas populações estão a recuperar, mostrando que, provavelmente, as medidas de gestão e conservação comunitárias, nomeadamente, para melhorar a qualidade da água, podem estar a resultar.

As ervas marinhas são plantas superiores que formam extensas pradarias sem zonas costeiras, não são algas. Estes ecossistemas são de extrema relevância, porque suportam as pescas, desempenham um papel importante no sequestro de carbono, oferecem proteção costeira e abrigam espécies ameaçadas como os cavalos-marinhos. Em Portugal, as zonas onde se localizam extensas pradarias marinhas são a Ria Formosa, Ria de Aveiro, nos estuários do Sado, Tejo e Mondego.

Rui Santos,  investigador do CCMAR, Professor da Universidade do Algarve e autor sénior da publicação, em comunicado explica que “as pradarias marinhas portuguesas foram fortemente impactadas nas últimas décadas. Neste contexto, o nosso estudo traz otimismo e apoia os esforços que as autoridades competentes estão a fazer na gestão e conservação das nossas zonas costeiras”. Salienta ainda que “os nossos resultados são muito encorajadores – contrariamente às tendências globais, as taxas de perda de ervas marinhas na Europa abrandaram no final do século XX. Em alguns locais, as pradarias marinhas até recuperaram. Este estudo traz esperança para os esforços de conservação de ervas marinhas, pois sugere que medidas de gestão como a implementação de áreas marinhas protegidas e a redução da descarga de nutrientes pode ter resultados positivos”.

O CCMAR é um dos principais centros de
investigação em marinha em Portugal, promove investigação multidisciplinar e
formação avançada, relacionada com o meio marinho, e com os processos de
alterações ambientais que afetam os ecossistemas marinhos. O Centro tem como
parceiros a Universidade do Algarve e o Instituto Português do Mar e da
Atmosfera (IPMA).

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