ALGARVE

Falta de carteiros atrasa distribuição em VRSA, Castro Marim e Alcoutim

CTT

A falta de trabalhadores nos CTT de Vila Real de Santo António, que também abrange Castro Marim e Alcoutim, tem levado a atrasos na distribuição de correio nos três concelhos nas últimas semanas, denuncia o Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Correios e Telecomunicações (SNTCT).

“É uma desgraça total”, começa por dizer ao JA fonte do SNTCT, que denuncia a falta de trabalhadores na empresa, que tem vindo a afetar o serviço.

Em causa estão os períodos de férias de alguns colaboradores, agora em vigor, que não foram substituídos por outros, tendo o trabalho sido entregue a quem continuou a laborar.

Quem continua a trabalhar, acabou por ter de fazê-lo a dobrar: além da sua zona, tem ainda de entregar correspondência nas áreas do colega que está de férias.

“Entrámos num período de férias e a empresa entendeu que não substitui nem contrata para substituir” quem não está a laborar de momento, explica a fonte sindical ao JA.

Esta decisão faz com que existam zonas nos concelhos de Vila Real de Santo António, Castro Marim e Alcoutim que não têm qualquer carteiro, atualmente. O resultado é o atraso na distribuição de correspondência, o aumento do trabalho dos funcionários para o dobro e a execução de horas extra “que não são pagas”.

Como não existe capacidade para entregar toda a correspondência nas zonas dos carteiros que estão de férias, os outros trabalhadores apenas estão a distribuir correio urgente, enquanto “o normal fica por entregar”.

Esta situação acontece também nas freguesias de Monte Gordo e Manta Rota, mas segundo a fonte sindical, no concelho de Alcoutim “é uma desgraça” devido à “má prestação do serviço de correios”.

Segundo a mesma fonte, a administração dos CTT foi contactada pelo executivo de Alcoutim sobre este problema, cuja resposta foi uma promessa de “ter mais atenção”.

No entanto, todo o concelho de Alcoutim tem estado “recorrentemente” apenas com um carteiro a trabalhar, enquanto o segundo é chamado para Vila Real de Santo António.

O sindicato salienta ainda ao JA que o concelho de Alcoutim chegou a ter quatro carteiros a trabalhar em simultâneo, mas o número baixou para metade.

“Houve uma semana inteira que o concelho de Alcoutim só recebeu correio urgente. A correspondência normal nunca chegou”, garante.

A fonte sindical refere que o está a acontecer em Alcoutim é “uma vergonha total” e que a população “está a ser prejudicada todos os dias”

Em Vila Real de Santo António, atualmente, faltam três carteiros, enquanto em Monte Gordo falta um.

Na freguesia de Monte Gordo, uma das zonas de distribuição está apenas a receber o correio urgente, uma vez que os colegas do trabalhador que está de férias “não têm tempo” para cobrir a sua zona.

E onde fica toda a correspondência que não é entregue a tempo e horas? Fica nos armazéns dos CTT de Vila Real de Santo António “em caixotes, por entregar”, demorando “outra semana” para distribuir o material acumulado.

Segundo diz a mesma fonte ao JA, este problema de distribuição e gestão já fez com que uma empresa concorrente aos CTT tenha crescido nos últimos tempos, estando a “aproveitar-se do mau serviço”.

Para o sindicato, a empresa “não tem pessoal porque não quer”, considerando que “é fácil fazer um contrato temporário, mas os CTT não querem gastar dinheiro e não se importam com o serviço prestado e os clientes”.

No entanto, parece que há um pormenor que interessa bastante aos CTT: “A empresa pode não ter pessoas para substituir quem vai de férias, mas está o dia inteiro nas redes sociais a ver quem são os trabalhadores que fazem comentários menos agradáveis, para levantar processos disciplinares”, refere a fonte.

Segundo a fonte do sindicato, “há trabalhadores com processos em tribunal por terem feito um comentário sobre uma má entrega”, considerando “uma perseguição”, uma vez que “não há liberdade de expressão”.

Este tipo de problemas, segundo a mesma fonte, acontece em todas as zonas do Algarve e tem vindo a piorar desde a privatização dos CTT, que têm vindo a ser divulgados pelo sindicato e que “tem feito tudo e mais alguma coisa desde greves a formas de luta para contrariar e pressionar medidas”.

Atualmente, os CTT “começam a ter dificuldades em arranjar trabalhadores” uma vez que apenas oferecem o salário mínimo nacional e a “rodagem constante de trabalhadores” faz com que os funcionários não tenham “tempo para aprender”, cometendo alguns erros como devolução de cartas.

PUB
Tamanho da Fonte
Contraste