Luiz Gabriel Lopes no palco da Catavento

A associção cultural Catavento vai acolher um momento musical especial este sábado, dia 31, quando o artista brasileiro Luiz Gabriel Lopes e Susana Travassos subirem ao palco. Inaugurado no passado mês de Março, o espaço  situa-se na Quinta da Fornalha, em São Bartolomeu, Castro Marim.

Luiz Gabriel Lopes é um jovem artista brasileiro, dotado de um enorme talento. Com 26 anos já tem um repertório de futuro e integra o grupo mineiro Graveola. Ao ouvir sua página no Myspace, deparamo-nos com muita música de boa qualidade e agradável.

Na obra, percebem-se influências de todos os tipos, mas principalmente de Caetano Veloso, The Beatles e Gilberto Gil.

Há quatro meses que Luiz Gabriel Lopes está em Portugal. Veio inicialmente para uma pequena tournée com o grupo Graveola. Porém, outros convites para diferentes concertos foram surgindo e o jovem artista tem prolongado a sua passagem por Portugal.

Nesta entrevista Luiz Gabriel Lopes fala, essencialmente, da diferença entre Brasil e Portugal em relação à música, ao público e aos pontos positivos desse intercâmbio

Érica Pinna | Rádio Cultura – São Paulo

Luiz, como foi a sua vinda para Portugal? O que esperava, conseguiu encontrar aqui?

LGL – Cheguei a Portugal no início de Maio para uma pequena tournée com os Graveola, grupo que integro no Brasil. Fizemos dois concertos maravilhosos por aqui, com grande empatia com o público e muito boas energias. Na sequência, seguimos para Itália e França, onde também tocámos, e de onde voltaríamos todos para o Brasil. Nesse período, recebi o convite para fazer uma residência solo no Onda Jazz em julho, e resolvi ficar mais um pouco para aproveitar melhor a viagem, tocar com outras pessoas e desenvolver coisas que ainda não tinham encontrado espaço no repertório da banda. E está sendo mesmo muito bom, muitos encontros felizes, um sentimento muito luminoso.

Como os portugueses receberam a música brasileira?

LGL- É difícil generalizar, mas pelo que pude perceber existe um espaço muito grande para nossa música em Portugal, não só pela partilha da língua mas também por uma espécie de sentimento de “complementaridade” que a cultura brasileira parece significar por aqui. É como se houvesse um senso estético e comportamental que faz falta a Portugal, e que é traduzido por algumas das nossas expressões artísticas, principalmente pela música.

Teve de adaptar sua obra de alguma forma para agradar o público lusitano ou ela se manteve, e agradou a audiência portuguesa naturalmente?

LGL – O que posso dizer sobre as adaptações que têm acontecido é que foram todas muito positivas, principalmente no que tange aos diferentes usos da língua que absorvi no meu trabalho como compositor. Posso perceber uma influência notória do português daqui nas composições mais recentes, feitas durante esse período, e acho isso ótimo! É como ampliar o espetro de uma língua que já conhecia e no entanto não utilizava da mesma forma, apreender outras raízes. Muito bom!

Existem diferenças entre o público português e o brasileiro?

LGL – Acho que não sei se consigo perceber algo que marque uma diferença entre o público de lá e o daqui. Mas certamente há várias especificidades que dizem respeito ao quadro de referências de cada lugar, e a maneira como as pessoas experimentam a música.

Talvez algo sintomático de uma diferença é a abertura à música de outras culturas que existe por aqui, e que no Brasil não se manifesta tanto – talvez justamente pelo fato de termos uma música popular extremamente forte, é como se nos sentíssemos autossuficientes e não buscássemos tanta coisa fora… Aqui, entretanto, nas pessoas com quem convivi pude perceber a presença quotidiana de expressões de vários lugares do mundo, principalmente da África e da Europa, que são músicas que não chegam tanto ao Brasil.

Como é o músico Luiz Gabriel Lopes depois dessa passagem por Portugal?

LGL – É aquela velha história, viajar é algo que necessariamente amplia a maneira de se ver o mundo, refina as noções de diferença e semelhança entre as culturas, exige capacidade de adaptação… Então acho que sou um cara um pouquinho mais consciente do tamanhão deste mundo e do tanto que se tem a aprender por aí. O saldo de todos os encontros é positivo, e Portugal foi um excelente lugar para viver durante esse tempo.

Nas suas canções notam-se as influências de Caetano Veloso e Gilberto Gil. Quais os artistas portugueses que costuma ouvir? Existe algum que influencie o seu trabalho?

LGL – Dentro do trabalho que tenho feito com a canção, conheço especificamente um autor português cuja dicção muito me interessa que é o JP Simões. Tive o prazer de ir a um concerto dele e foi sensacional! É mesmo um grande compositor e intérprete, e incorpora a figura do cantautor de uma forma muito própria. Recomendo!

Quais são os seus projetos artísticos quando voltar para o Brasil?

LGL – Minha prioridade tem sido e continuará sendo os Graveola, grupo de que faço parte em Belo Horizonte. Já temos alguns concertos agendados para volta e estou realmente excitado para o re-encontro com a banda! Felizmente há ainda vários outros frutos da viagem para se colher: um deles é o show Lusofonias, que realizei aqui em parceria com João Pires, Yuri Vellasco e Juninho Ibituruna, e que pretendemos fazer também no Brasil. Além disso, tive a felicidade de gravar um modesto álbum solo, com algumas das músicas que compus durante esse período e a participação de vários amigos. Devo lançá-lo para download gratuito pelo meu myspace dentro de pouco tempo!

 

Fotos: Flávia Mafa

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