Manifesto “Pela Floresta contra a Crise” entregue à ministra da Agricultura


Assinado por diversos professores universitários, engenheiros florestais e por Jorge Sampaio, o manifesto apela à valorização e gestão ativa dos recursos florestais.

O manifesto “Pela Floresta contra a Crise”, entregue ontem à ministra da Agricultura, apela a uma melhor gestão do território florestal e à implementação de medidas que resolvam os problemas que estão na base da degradação da floresta portuguesa.

A iniciativa é dirigida ao governo, ao parlamento e às autarquias, a quem é pedida a introdução de políticas públicas e de práticas de gestão sustentável nos territórios de floresta, citados no documento como tendo um “papel estruturante, quer no plano territorial, quer económico, ambiental e social”.

Assinado por diversos professores universitários, engenheiros florestais e dirigentes de associações florestais, o manifesto apresenta os territórios florestais como um recurso natural que pode ser explorado e aproveitado de forma a potenciar o desenvolvimento económico numa época de crise.

Mais do que críticas, soluções concretas

Vítor Louro, antigo secretário de estado da Estruturação Agrária e um dos dinamizadores do manifesto, afirma que existem três vetores essenciais a ter em conta para um melhor aproveitamento da terra enquanto recurso natural.

“O associativismo, que tem tido incentivos mas, infelizmente, não se desenvolve, porque não há tradição associativista em Portugal”. Também o desbloqueamento das ZIF (Zonas de Intervenção Florestal), que visam resolver bloqueios associados à estrutura da propriedade privada, nomeadamente nas regiões de minifúndio, e que são muitas vezes “bloqueadas” e “não vendem os seus produtos”. O terceiro vetor será a aposta numa reforma fiscal.

Segundo o documento, a reforma fiscal deverá ser “coerente”, penalizando situações de mau aproveitamento ou desperdício de recursos e estimulando a gestão ativa dos mesmos, ao premiar quem assegura a perpetuidade das receitas.

Outras medidas, como uma restruturação fundiária e estímulos à mobilização dos proprietários através do apoio técnico e profissional para gestão e venda agregada dos seus produtos (através do associativismo), são também propostas no manifesto.

Reagir às consequências não chega

O manifesto “Pela Floresta contra a Crise” sugere que o país deverá consumir menos produtos importados e criar mais riqueza potenciando os recursos nacionais como o mar, a agricultura, a floresta, o património cultural e o turismo.

No que respeita à floresta, problemas como a degradação da qualidade e quantidade do material lenhoso, o abandono dos espaços florestais e o impacto dos fogos têm impedido o máximo aproveitamento deste recurso, apesar dos esforços em contrário.

Para Vítor Louro, um dos maiores problemas que provocou alterações nos territórios florestais e rurais, nos últimos 30 anos, é o despovoamento e todas as consequências associadas ao mesmo. “Acarreta o abandono da agricultura e há uma ocupação dos terrenos anteriormente agricultados por mato e por floresta”.

Também os incêndios são encarados como uma das maiores ameaças aos territórios florestais. Neste ponto, o manifesto defende que o país tem apostado numa estratégia de combate ao fogo, mas deveria ser dada mais atenção a estratégias preventivas e a uma melhor gestão. “Somente parece ter havido capacidade de reagir aos problemas, atacando não as suas causas, mas as consequências” refere o documento.

JA/Rede Expresso

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