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A nova “fronteira” entre os concelhos de Faro e de Loulé passará precisamente ao meio do relvado do Estádio Algarve. As novas delimitações prometem resolver os inconvenientes que a indefinição na delimitação territorial tem causado aos residentes daquela zona ao longo dos anos

Domingos Viegas

O período de consulta pública sobre a nova delimitação territorial dos concelhos de Faro e de Loulé terminou na passada quinta-feira. Depois de analisadas as sugestões da população, o projeto final seguirá para votação nas respetivas assembleias municipais e, posteriormente, para aprovação na Assembleia da República.

Assim, e de acordo com a nova proposta, os aglomerados de São João da Venda, Vale da Venda, Caliços e toda a zona da estação de comboios do Parque das Cidades serão integradas definitivamente no concelho de Loulé. Por seu turno, as zonas do Arneiro e de Mata Lobos passam a pertencer ao concelho de Faro.

Curiosamente, o Estádio Algarve ficará repartido entre os dois concelhos já que a linha de “fronteira” passará precisamente ao meio daquela infraestrutura. Os seja, a bancada poente e a zona da entrada principal ficará no concelho de Loulé, enquanto a bancada nascente passará a pertencer ao concelho de Faro.

O problema da indefinição das “fronteiras” entre os municípios de Faro e de Loulé verifica-se desde 1836 e, atualmente, continua a causar muitos inconvenientes aos moradores de sítios como Pontal, Mata Lobos, Barros de São João, São João da Venda, Vale da Venda, Caliços, Arneiro, Casas e Naves, entre outros pequenos aglomerados urbanos.

Nas zonas onde a delimitação dos concelhos não está definida, os serviços básicos (distribuição de água, recolha de lixo, entre outros) têm sido garantidos à população através de acordos estabelecidos nos últimos anos entre as duas câmaras municipais.

Esta situação provoca, por exemplo, que existam zonas em que os moradores votam num concelho, mas os serviços são prestados pelo concelho vizinho. Outro dos exemplos é a questão da distribuição da correspondência, que representa um autêntico quebra cabeças para os carteiros, já que nem os residentes sabem a que concelho pertence a zona onde moram.

A nova proposta foi elaborada entre 2010 e 2011 por uma comissão de trabalho presidida pelo investigador e historiador António Rosa Mendes e incluiu vários peritos em representação dos dois municípios.

O resultado final teve em conta, não só a existência de ribeiras e estradas, mas também, uma exaustiva pesquisa no âmbito da história daquela zona, que ocupa parte da freguesia louletana de Almancil e das farenses de Montenegro, São Pedro e Santa Bárbara de Nexe.

Com as novas delimitações, e em relação ao que estava estabelecido na Carta Administrativa Oficial Portuguesa, Faro “ganha” a Loulé uma faixa de território a norte do Patacão (zonas onde se incluem os núcleos urbanos de Mata Lobos e do Arneiro) e “perde” para o município louletano uma outra faixa, localizada a poente do Pontal e do aeroporto.

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