Regresso ao passado com o Festival Islâmico de Mértola

Doces tradicionais marroquinos

Aconteceu em Mértola a 10.ª edição do Festival Islâmico, realizado entre 16 e 19 de maio, um evento inspirado no passado árabe e que se realiza de dois em dois anos. Os Souks voltaram à vila enchendo-a de cor, odores e sabores que nos remetem a épocas antigas de um passado longínquo quase perdido no tempo, mas que Mértola, deseja reavivar e preservar como uma marca da sua identidade histórica criando este festival.

A Vila de Mértola, nomeadamente, o centro histórico foi transformado e ornamentado com elementos decorativos do período islâmico como é o caso da fonte e dos murais. Os souks preencheram durante 4 dias as principais ruas da Vila num misto de cores, brilho, risos, aromas, músicas e tecidos que reavivaram a memória de tempos áureos. Os tecidos que protegiam os souks do sol criavam um ambiente acolhedor e mágico; as especiarias coloridas espalhavam os seus odores pelas ruas; as ervas aromáticas; os chás; os candeeiros exóticos e multicolores que iluminavam as ruelas; o artesão que trabalhava a madeira ao estilo árabe usando os pés; os artesãos que trabalham o cobre e o bronze; a bijuteria marroquina com a famosa mão de Fátima; as tatuagens de henna; o nome escrito em caligrafia árabe; a gastronomia típica com kebab, doces, frutos secos, frutos caramelizados feitos no momento; chinelos, malas, carteiras, poufs confecionados em pele; os sabonetes, cremes, essências artesanais e um sem fim de objetos para todos os gostos.

O certame contou com diversos expositores portugueses e estrangeiros que vendiam os produtos relacionados com esta temática. Foram organizados variados espetáculos musicais, exposições, conferencias, dança oriental, workshops, gastronomia, entre outros.

O Jornal do Algarve conversou com alguns expositores árabes como foi o caso de Aziz Mchachti, originário de Marraquexe e está no festival desde o primeiro ano da sua fundação, um artesão que trabalha objetos em cobre e bronze, como pratos, bules, candeeiros; também é pintor e levou alguns dos seus quadros para vender, contudo a sua esposa produz bijuteria marroquina e faz tatuagens de henna. Aziz também costuma participar na Fil em Lisboa, estando presente no Pavilhão de Marrocos.

Soukain Hannoun é marroquina, mas vive em Faro, está neste festival pela primeira vez e fabrica pão árabe recheado com carnes variadas e outro com queijo, orégãos e azeitonas, vende também doces árabes caseiros. Hannoun costuma estar presente em várias feiras medievais como é o caso da feira de Silves.

Samira Jharib, outra expositora marroquina, apresenta na sua tenda as sementes e frutos secos caramelizados, sendo que as sementes são feitas no local, numa máquina apropriada para o efeito.

Vila de Mértola, uma pérola branca no Alentejo com raízes árabes, banhada pelo rio Guadiana e de mãos dadas com o Algarve. Mértola, uma explosão exuberante de história e cultura que é preciso preservar.

Carmo Costa

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